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domingo, 26 de março de 2017

Dupla Dinâmica: Bette Davis e William Wyler / Dynamic Duo: Bette Davis and William Wyler

É difícil definir um cineasta como William Wyler. Seu filme mais famoso é a versão de 1959 de Ben-Hur, um épico bíblico masculinizado com uma boa dose de ação e drama. Entretanto, Wyler dirigiu 73 obras, entre filmes e séries de TV, de 1925 a 1970. Ele fez westerns, dramas históricos, comédias românticas, documentários. E ele trabalhou três vezes com uma atriz maravilhosa: Bette Davis.

It’s hard to define a filmmaker like William Wyler. His most famous movie is the 1959 version of Ben-Hur, a macho biblical epic with a good amount of action and drama. However, Wyler worked on 73 movies and TV series, from 1925 until 1970. He made westerns, historical dramas, romantic comedies, documentaries. And he collaborated three times with a wonderful actress: Bette Davis.
“Jezebel”, a primeira colaboração deles, conta a história de Julie (Davis), uma garota voluntariosa do sul dos EUA que é apaixonada por Preston (Henry Fonda). Eles estão noivos, mas não necessariamente combinam. Julie é indomável demais para Preston – prova disso é quando ela escandaliza a cidade toda e vai com um vestido vermelho vivo a um baile no qual todas as outras mulheres estão usando branco. Preston rompe o noivado e sai da cidade, mas retorna um ano depois para impedir que uma epidemia de febre amarela chegue ao local.

“Jezebel”, their first collaboration, tells the story of Julie (Davis), a spoiled Southern belle that is in love with Preston (Henry Fonda). They are, actually, engaged, but Julie is too wild for him – and a proof of this happens when she scandalizes the whole town by wearing a bright red gown to a party in which all the other women wore white. Preston leaves her, but comes back in order to avoid a yellow fever epidemic to hit the town.
Wyler e Davis se conheceram em 1931. Ela era uma novata fazendo um teste para o filme “A House Divided”, que seria dirigido por Wyler. O vestido dado a Bette para o teste não serviu muito bem e o decote era muito revelador. Quando ela entrou no set, ouviu este comentário de Wyler: “O que pensar dessas garotas que só mostram os peitos e acham que vão conseguir o trabalho?”. Ela não foi escalada para o papel, e não esqueceu a humilhação. E em 1938 ela estava pronta para se recusar a trabalhar com Wyler em “Jezebel”. Felizmente, isso não aconteceu.

Wyler and Davis met in 1931. She was a newcomer doing a screen test for his film “A House Divided”. The dress given to her didn’t fit right and there was too much cleavage. When she appeared on set, Wyler made the comment: "What do you think about these dames who show their chests and think they can get jobs?" She didn’t get the job and didn’t forget the humiliation. And, in 1938, she was ready to refuse working with Wyler in “Jezebel”. Luckily, it didn’t happen.
William Wyler era um perfeccionista, e exigia que sua estrela visse com ele as cenas rodadas naquele dia, todos os dias. Foi aí Bette entendeu por que ele queria que ela repetisse sempre as cenas em busca do take perfeito. Estava funcionando: aquela era sua melhor performance até então. Ela começou a admirar Wyler – e a admiração logo se transformou em amor.

William Wyler was a perfectionist, and demanded his star to see the daily shots, every single day. It was then that Bette could understand why he pushed her to do more and to achieve the perfect take. It was working: she had never given such a fine performance. She started admiring Wyler – and soon the admiration turned into love.

Eles se envolveram romanticamente e, segundo rumores, Bette engravidou no final das filmagens de “Jezebel”, e pouco depois fez um aborto. Foi a própria Bette que contou esta história, muitos anos depois.

They started an affair and, according to rumors, Bette got pregnant at the end of the shooting of “Jezebel”, and had an abortion short after production wrapped. Bette herself told this story, later in her life.
O segundo filme juntos foi “A Carta” (1940), a película com uma das mais eletrizantes sequências de abertura da história. Nela, Leslie (Davis) atira em um homem que está saindo da casa dela numa plantação de algodão na Malásia. Ela alega que o homem a atacou, mas ele estava na verdade a chantageando: ele era amante dela, e pedia dinheiro para não entregar ao marido dela uma carta de amor que ela lhe havia escrito.

Their second collaboration was in “The Letter” (1940), a film that has one of the most thrilling opening sequences ever shot. In it, Leslie (Davis) shoots a man coming out of her house in a cotton plantation in Malaysia. She says the man attacked her, but he was actually blackmailing her: he was her lover, and wanted money in order to not give the letter she sent him to her husband.
Wyler e Bette discutiram na hora de filmar uma cena de confissão importantíssima, o que fez Bette abandonar o set. Wyler esperou que ela voltasse, e ela fez a cena do jeito que ele queria. Por mais que nós amemos Bette Davis, devemos concordar que Wyler tinha razão, e Leslie precisa olhar nos olhos do marido enquanto confessava que não o amava.

Wyler argued with Bette Davis about a key confession scene, which made Davis leave the set. Wyler just waited for her to come back, and she shot the scene the way he demanded. As much as we love Bette Davis, we’ve got to agree that Wyler was right, and Leslie had to look at her husband in the eye while saying she didn’t really love him.
A última contribuição deles foi “Pérfida” (1941). No filme, Bette Davis interpreta Regina Giddens, que quer convencer seu marido doente e distante a lhe emprestar dinheiro para que ela possa entrar numa parceria de negócios com seus irmãos. Para isso, ela manipula a todos e não vê problema em magoar a própria filha para alcançar seu objetivo.

Their last contribution was “The Little Foxes” (1941). In it, Bette Davis plays Regina Giddens, who wants to persuade her estranged and sick husband to lend her money so she can enter a business partnership with her brothers. To do so, she is manipulative and has no problem hurting her own daughter to achieve her goal.
Wyler insistiu que Bette fosse escolhida para o papel principal. Tallulah Bankhead havia feito o papel na Broadway, e Bette decidiu interpretar Regina de maneira completamente diferente de Tallulah: não como uma vítima, mas como uma mulher extremamente ambiciosa.

Wyler insisted on Bette being cast in the leading role. Tallulah Bankhead had originated the role on Broadway, and Bette decided to play Regina in a very different way: not as a victim, as Tallulah did, but as an overly ambitious woman.
E este foi só o começo dos problemas. Wyler e Davis não concordavam em nada, e ela abandonou as filmagens. Em seu livro “Mother Godamn: The Story of the Career of Bette Davis”, ela comenta sobre este episódio: “Foi a úncia vez na minha carreira que eu abandonei um filme que já tinha começado a filmar”, e completa: “Eu estava muito nervosa porque meu diretor favorito, o que eu mais admirava, estava brigando comigo sobre tudo o que podia... Eu simplesmente não queria continuar”. E, mais uma vez, ela voltou ao set e seguiu as ordens de Wyler.

And this was just the start of their troubles. They just couldn’t agree on anything, and she walked off the set. In her book “Mother Goddamn: The Story of the Career of Bette Davis”, she talked about this episode: "It was the only time in my career that I walked out on a film after the shooting had begun," and added: "I was a nervous wreck due to the fact that my favorite and most admired director was fighting me every inch of the way ... I just didn't want to continue." And, once again, she returned to the set and followed Wyler’s orders.
Tanto “Jezebel” quanto “A Carta” são comumente incluídos na maioria das listas de melhores filmes de Bette Davis. “Pérfida” pode não ter a mesma admiração, mas é também um ótimo filme. E todos eles são bons graças à essa mistura fantástica dos estilos de Wyler e Davis.

Both “Jezebel” and “The Letter” are often included in most Bette Davis’s top five movies lists. “The Little Foxes” may not hank as high as these two, but it is also a nice movie. They are good because of this fantastic mix of Wyler and Davis.
Numa entrevista para Charlotte Chandler no final dos anos 80, Bette disse sobre Wyler: “Ele tinha tudo que eu sempre sonhei em um homem, por isso o amor e a paixão surgiram”. Wyler então respondeu: “Ela era muito apaixonada e emotiva, com mais energia do que qualquer outra pessoa que eu conheci. Era demais para mim”.

In an interview to Charlotte Chandler in the late 1980s, Bette said about Wyler: “He was everything I ever dreamed of in a man, so love and passion soon followed.” Wyler answered back: “She was very passionate and emotional, with more energy than anyone I’d ever known. Too much for me.”
Mas não são as atrizes exageradas e exuberantes aquelas que nós mais admiramos?

But aren’t the larger than life actresses the ones we love the most?

This is my contribution to the 2nd Annual Bette Davis Blogathon, hosted by my friend Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

quarta-feira, 22 de março de 2017

“A Gata e o Rato” e a paródia de Casablanca / Moonlighting and the Casablanca parody

Nos anos 80 e 90, era comum que as séries de TV, em especial sitcoms, tivessem “episódios de antologia”. Estes episódios não faziam a trama avançar e podiam até ser ignorados pelo público. Alguns deles eram simples coleções de clipes de episódios anteriores. Outros eram paródias de filmes famosos. Vamos falar de um episódio deste último tipo.

In the 1980s and 1990s, it was common for TV series, in special sitcoms, to have some “anthology episodes”. These episodes didn't advance the plot and could even be skipped by the public. Some of them were a collection of clips from previous episodes. Others were parodies of famous movies. We're talking about an example of the later.
Os personagens principais da série romântica / de suspense / de comédia “A Gata e o Rato” eram Madelyn ‘Maddie’ Hayes (Cybill Shepherd) e David Addison (Bruce Willis), os dois principais investigadores da agência de detetives Blue Moon, da qual Maddie é proprietária. Entre os personagens coadjuvantes recorrentes estava a secretária atrapalhada e adorável, Agnes DiPesto (Allyce Beasley).

The main characters in the romantic / thriller / comedy Moonlighting were Madelyn 'Maddie' Hayes (Cybill Shepherd) and David Addison (Bruce Willis), the two main detectives in the Blue Moon agency, that Maddie also owns. Among the recurrent characters there was the clumsy secretary with a heart of gold, Agnes DiPesto (Allyce Beasley).
O público aprendeu a amar Agnes DiPesto. Ela ganhou mais tempo em cena, um par romântico – Herbert ‘Bert’ Viola (Curtis Armstrong) – e alguns episódios focados só nela. Bem, isso aconteceu porque ela era popular, obviamente, mas também porque aconteceram alguns atrasos nas gravações quando Bruce Willis machucou o ombro e Cybill Shepherd deu à luz gêmeos. Curiosamente, os dois episódios mais marcantes para mim têm tudo a ver com filmes clássicos.

The public learned to love Agnes DiPesto. She got more screen time, she got a romantic interest – Herbert ‘Bert’ Viola (Curtis Armstrong) – and she got some episodes focused on herself. Well, this happened because she was popular, sure, but also because there were some delays when Willis broke his shoulder and Shepherd had twins. Curiously, the two episodes I remember best have everything to do with classic movies.
Um deles é “In ‘N Outlaws” (temporada 5, episódio 11), uma espécie de “12 Homens e uma Sentença” com um toque romântico. Nele Agnes é parte de um júri e é a única que acredita na inocência do réu. Ela então conta sua teoria e narra suas experiências com a relação complicada de Maddie e David para convencer os outros jurados da inocência do réu.

One of them, “In ‘N Outlaws” (S5E11), is some kind of romantic “12 Angry Men”. In it Agnes is part of a jury and is the only one who believes in the man's innocence. She then tells her theories and her experience with the on-again off-again couple Maddie and David to convince the other jurors of his innocence.
O outro episódio também foi romântico, e lidou com a relação de Agnes e Herbert. Eles eram ambos tímidos, loucamente apaixonados um pelo outro, mas não tinham coragem para dizer o que realmente sentiam, nem para dar grandes passos e avançar o relacionamento. No episódio “Here’s Living with You, Kid” (temporada 4, episódio 13), Herbert sugere que ele e Agnes vão morar juntos. Bert meio que recebe um não como resposta, e a partir daí tem fantasias envolvendo filmes clássicos.

The other episode was romantic as well, and dealt with Agnes and Herbert's relationship. They were both shy people, madly in love with each other, but without the necessary courage neither to tell what they really felt nor to take risks in the relationship. In the episode “Here’s Living with You, Kid” (S4E13), after asking if Agnes wants to move in with him and kind of receiving “no” as an answer, Herbert has fantasies involving classic films.
Primeiro Bert fantasia com “O Sheik” (1921), provavelmente o primeiro filme da história a glorificar a síndrome de Estocolmo. O sonho acordado é um filme mudo completo, sem diálogos mas com intetítulos.

First Bert fantasizes with “The Sheik” (1921), probably the first film to glorify the Stockholm syndrome in the history of movies. The daydream is a complete silent movie without dialog and with intertitles.
Então Bert fantasia com Casablanca. Herbert é Rick, Agnes é Ilsa. De todos os bares de todas as cidades do mundo, ela teve de entrar logo no dele. Este devaneio é mais longo, e também mais divertido, pois zoa com as cenas mais famosas de Casablanca. Veja abaixo, com legendas:

Then Bert fantasizes with Casablanca. Herbert is Rick, Agnes is Ilsa. Of all the gin joints in all the towns in all the world, Agnes walks into his. This daydream sequence is longer, and also funnier, because of the way it mocks with the most famous scenes in Casablanca. See below, with Portuguese subtitles:



“A Gata e o Rato” teve cinco temporadas, de 1985 a 1989. Eu assistia às reprises no canal TCM a partir de 2011. Eu adorava a série, em especial as paródias, os momentos em que a quarta parede era quebrada e as deliciosas situações em que os personagens demonstravam que sabiam que faziam parte de um programa de TV.

Moonlighting lasted five seasons, from 1985 to 1989. I watched the reruns from 2011 onwards. I really, really loved the show, and I adored their spoofs, whenever they broke the fourth wall and the amazing tongue-in-cheek moments when the characters made clear they knew it was only a show.
Agora as séries não têm mais episódios de antologia. Agora as séries transmitidas na TV têm entre 22 e 23 episódios por temporada, enquanto as séries via streaming têm 13 ou 10 episódios ou até menos. Eu também aprecio a maneira moderna de se fazer séries, mas fico pensando: como minhas séries atuais favoritas lidariam com episódios de antologia e quais clássicos eles se atreveriam a parodiar?

Now the series have no more anthology episodes. Now the series airing on TV have about 22 or 23 episodes per season, while the ones on streaming have 13, 10 or even fewer. I like the modern model as well, but sometimes I wonder how some of my favorite series would tackle anthology episodes and which classics they could spoof.

You can watch the full “Here’s Living with You, Kid” episode on Dailymotion.

This is my contribution to the 3rd Annual Favourite TV Show Episode Blogathon, hosted by my friend Terence at A Shroud of Thoughts.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Variações sobre um mesmo tema: A Bela e a Fera (1946, 1991 e além)

Variations on the same theme: Beauty and the Beast (1946, 1991 and beyond)

Tale as old as time
True as it can be
Barely even friendship
Then somebody bends
Unexpectedly
Just a little change
Small to say the least
Both a little scared
Neither one prepared
Beauty and the Beast!
A belíssima história de amor entre uma mulher e uma criatura que parece um búfalo é um conto de fadas que existe há um bom tempo: foi publicada em 1740, escrita por Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve. Após a morte de Gabrielle, outra escritora francesa, Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, reescreveu o conto de fadas. Mas a história na verdade tem mais de 4000 anos!

The wonderful love story between a woman and a bull-like creature is a fairy tale that has been around for quite a while: it was published in 1740, written by Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve. After Gabrielle died, another French writer, Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, rewrote the fairy tale.  But the story actually originated more then 4000 years ago!
Originalmente, a Bela e a Fera era bem semelhante a outros contos de fada, pelo menos em relação à história. Bela era a filha mais nova de um comerciante viúvo. Ela tinha duas irmãs muito preocupadas com a aparência e três irmãos que viviam se metendo em confusões. Quando seu pai recebe a notícia de que um de seus navios perdidos foi encontrado, a família toda, que estava há alguns meses vivendo na pobreza, fica em polvorosa. As irmãs querem que o pai lhes traga vestidos chiques com o dinheiro da venda dos produtos do navio. Bela quer apenas uma rosa.

In its genesis, Beauty and the Beast was very similar to other fairy tales, at least in its history. Belle was the youngest daughter of a widow sea merchant. She had two vain sisters and three troublemaker brothers. When her father recovers one of his ships after living some months in poverty, the whole family gets excited. The sisters want the father to bring fancy dresses to them, but Belle wants only a rose.
Voltando da negociação malsucedida no porto, o pai de Bela entra no território da Fera e é pego. A Fera deixa o pai da Bela visitar a família uma última vez, mas ele não volta ao cativeiro: a Bela toma o lugar do pai e parte para o castelo da Fera. A versão francesa de 1946 segue este roteiro. Nela, Bela é interpretada por Josette Day e a Fera por Jean Marais.

Coming back from an ill-fated negotiation at the harbor, Belle's father enters the Beast's territory and is imprisoned. The Beast lets Belle's father see his family for the last time, but he doesn't come back: Belle goes to the Beast's castle in her father's place. The 1946 French movie follows this storyline. Belle is pyayed by gorgeous Josette Day, and the Beast by Jean Marais.
A versão de 1946 pode surpreender quem não está acostumado a ver clássicos e pensa que todos os filmes antigos são primitivos e chatos. Na verdade, a versão francesa é simplesmente mágica, e faz a mágica sem efeitos especiais computadorizados. Ainda por cima, é um filme feito logo após a Segunda Guerra Mundial, conflito do qual a França saiu muito abalada. De certa maneira, este é o tipo de filme que a França precisava na época: um filme que nos faz acreditar em mágica novamente.

The 1946 version may surprise the ones who are not used to old movies and expect it to be dull and primitive. Actually, the French version is nothing but magical, and does it without CGI and when France had just left World War II with lots of scars. In a sense, it was the kind of comfort movie France needed then: a movie that makes you believe in magic again.
Meu truque favorito no filme de Jean Cocteau são os braços humanos que seguram objetos como velas e espelhos dentro do castelo da Fera. Foi asism que ele conseguiu mostrar os serviçais amaldiçoados no castelo. E isso não é tudo: a iluminação também confere um toque mágico. À luz de velas, Josette Day é etérea, angelical. Esse efeito não poderia ser obtido apenas com a luz em um filme a cores.

My favorite trick in Jean Cocteau's film is his idea of having moving arms holding the objects like candles and mirrors inside the Beast's castle. It was through this trick that he could transport to the screen the cursed maids, butlers and cooks. And this is not all: the lightning also adds to the magic. By candlelight, Josette Day looks ethereal, and such an effect couldn't be achieved in a color film.
Não, o pai da Bela não era um inventor. Ela não era filha única, nem uma leitora voraz (ou seja, ela não era como eu). Ela não era paquerada pelo insistente e vaidoso Gaston, o homem com grandes músculos e cérebro de ervilha. Tudo isso é o toque Disney. Mas estas mudanças na história, junto com a animação de qualidade, obviamente, fizeram o filme ser indicado ao Oscar de Melhor Filme em 1992. É interessante notar que a animação tem diversas conexões com o cinema clássico.

No, Belle's father wasn't an inventor. She wasn't a single child who was also a bookworm (she wasn't me, after all). She wasn't courted by Gaston, a man with great muscles and a pea-sized brain. All this is Disney exclusivity. But those changes in the story, along with the great animation, of course, made the animated feature be nominated for the Best Picture Oscar in 1992. Interestingly, the animation has many connections to classic films.


A versão de 1946 inspirou o estilo de um episódio de 'Teatro dos Contos de Fada". Neste episódio, dirigido por Roger Vadim, a Bela é interpretada por Susan Sarandon e a Fera por Klaus Kinski. Será que já houve escalação de elenco melhor do que esta?

The 1946 version inspired the look of an episode of “Shelley Duvall's Faerie Tale Theatre”. In this episode, directed by Roger Vadim, Belle is played by Susan Sarandon, and the Beast by Klaus Kinski. Has there ever been a better casting than this?
Houve uma versão em 2014, novamente feita na França, com Léa Seydoux e Vincent Cassel nos papéis principais. O filme pode ser visualmente deslumbrante, mas falta algo – talvez tenha sido a narrativa confusa, que avança e retrocede no tempo sem aviso, ou talvez seja a falta de química do casal. De toda forma, o filme é uma festa para os olhos e ao mesmo tempo uma cura para a insônia. Bem, pelo menos nesta versão a Bela e a Fera têm roupas lindas e diferentes do usual para o grande baile:

There was a 2014 version, again made in France, with Léa Seydoux and Vincent Cassel in the lead roles. While it is visually breathtaking, the film lacks something – maybe it is the confused narrative, that goes back and forward in time without warning, or maybe it is the lack of chemistry between the couple. Anyway, it is a feast for the eyes but at the same time a cure for insomnia. Well, at least in this version Belle and the Beast have different and gorgeous clothes for their dance:
A primeira adaptação para o cinema foi feita pela Pathé-Freres em 1899. Outras versões se seguiram, ainda no cinema mudo, tanto na França quanto na Inglaterra, mas há pouquíssimas informações sobre elas. O que se sabe é que existe uma cópia – ou possivelmente um fragmento – da versão de 1913 na Cinemateca Francesa. É uma pensa que não foi feita nenhuma versão da história na Hollywood do cinema mudo!

The first film adaptation of the story to the cinema was made by Pathé-Freres in 1899. Many more versions were made in the silent era, both in France and the UK, but information about these movies is scarce. A copy – or rather a fragment – of the 1913 version certainly exists in the French Cinémathèque, though. It’s a pity that no version of the tale was adapted to the screen in silent-era Hollywood!

Na TV foram feitas também diversas adaptações, entre filmes e episódios, entre os quais está um de “Shirley Temple’s Storybook” de 1958. Séries de TV também se inspiraram na história, incluindo uma versão modernizada estrelada por Linda Hamilton e Ron Perlman que durou três temporadas, de 1987 a 1990.

On TV there were several versions as well, considering TV movies and episodes such as one from “Shirley Temple’s Storybook” in 1958. TV series were also inspired by the tale, including a modernized version with Linda Hamilton and Ron Perlman, that lasted three seasons, from 1987 to 1990.
Qualquer que seja a versão e sua opinião sobre a história – afinal, qual a moral do conto de fadas (as aparências não importam ou o amor cura tudo?) – o cinema sempre conseguiu levar para as telas a magia que nos faz continuar acreditando no conto de fadas.

Whatever the version, and whatever is your reading of the story – which could exactly be the lesson we learned with Beauty and the Beast (appearances don’t matter / love cures everything?) – the film world never failed to translate the magic that makes us believe in fairy tales.

domingo, 5 de março de 2017

Acordes do Coração / Humoresque (1946)

Às vezes, as pessoas mais talentosas são também as mais perturbadas. Grandes artistas raramente têm vida fácil. Em “Humoresque”, o remake de 1946 de um filme mudo de 1920, o violinista Paul aprende, do jeito mais difícil, duas lições importantes. A primeira é que você precisa pagar um preço para ser quem está destinado a ser. A segunda é que mães sempre têm razão.

Sometimes, the most gifted people are also the most disturbed. Great artists rarely have an easy life. In “Humoresque”, the 1946 remake of a 1920 silent, violinist Paul learns the hard way two important lessons. The first one is that you must pay a price to be what you're destined to be. And the second is that mother always knows best.
Tudo começa com um flashback. É o aniversário do pequeno Paul Boray (Bobby Blake), e seu pai o deixa escolher algum presente barato. Paul escolhe um violino, para a amargura do pai: além de ser caro (OITO DÓLARES!, o violino pode ser apenas um brinquedo que Paul vai esquecer logo. O pai não compra o instrumento, então a mãe, com lágrimas nos olhos e esperançosa pelo filho, vai à loja e compra o violino.

Everything starts with a flashback. It is young Paul Boray’s (Bobby Blake) birthday, and his father will let him choose a cheap gift. Paul chooses a violin, to his father’s disapproval: besides being expensive (EIGHT DOLLARS!), the violin can be just a fad for Paul. The father doesn’t buy the instrument, so the mother, with tears in her eyes and hope in her son, goes to the shop and buys the violin.
E isso compensa. Paul pratica o tempo todo, e prova que a prática leva à perfeição: ele logo se torna um virtuoso que inclusive é rápido demais para ser acompanhado por uma orquestra. Ele tem talento e sabe disso. Infelizmente, as coisas não são fáceis. É a Grande Depressão, e o pai de Paul acredita que ele não contribui para a renda familiar sendo músico. Veja como o preconceito contra os artistas sempre foi o mesmo!

And it pays off. Paul practices all the time, and proves that practice makes perfection: he is soon a young virtuoso who even out-plays a whole orchestra. He has talent and he knows it. Unfortunately, things are not easy. It’s the Depression, and Paul’s father believes he doesn’t contribute to the family’s survival by being a musician. You can see that the prejudice against artists has always been the same!
Chateado, Paul (John Garfield) se junta ao amigo Sid Jeffers (Oscar Levant), um pianista. Numa noite, eles tocam na festa dos Wright, um famoso e elegante sarau. Paul é tratado como inferior por Helen Wright (Joan Crawford), mas ele não abaixa a cabeça: ele a insulta na mesma moeda. E assim fica claro: Paul e Helen foram feitos um para o outro – ou será que não?

Hurt, Paul (John Garfield) joins his friend Sid Jeffers (Oscar Levant), who is a struggling pianist. One night, they play at the Wright’s party, a fancy and famous reception. Paul is treated poorly by Helen Wright (Joan Crawford), but he doesn’t cower: he fires insults right back at her. And then you know: Paul and Helen are a match made in heaven – or maybe in hell?
Em pouco tempo está pagando um agente para Paul e bancando seus concertos. Ele pode ter uma dívida com ela, mas ao mesmo tempo se sente atraído pela benfeitora. Isto parte o coração de Gina (Joan Chandler). Ela é uma musicista que estudou com Paul e se apaixonou por ele. A mãe de Paul, Esther (Ruth Nelson), não quer que seu filho se relacione com uma mulher casada.

Soon Helen is paying for his agent and his concerts. He doesn’t have only a debt with her, but there is also sexual attraction. This breaks Gina’s (Joan Chandler) heart. Gina is a fellow musician who studied with Paul and fell in love with him. Paul’s mother, Esther (Ruth Nelson), fears for her son’s relationship to a married woman. 
Paul se mostra insatisfeito por ser “patrocinado por uma mulher” que também tem problemas com a bebida. Helen não vai disputar um espaço no coração de Paul com Gina, mas sim com a maior e mais profunda paixão dele: a música. Ela não parece uma mulher que sofreria e faria sacrifícios para que o homem amado pudesse alcançar o auge de seu potencial. Mesmo assim, esta Joan Crawford sofredora é uma personagem que encontramos em muitos de seus filmes, com destaque para “Alma em Suplício” (1945). 

Paul is not pleased to be “patronized by a woman” who also has a drinking problem. Helen is not ready to dispute a place in Paul’s heart not with Gina, but with his biggest and deepest passion: music. She doesn’t look like a woman who would suffer and sacrifice herself so the man she loves can fulfill his potential. Yet, this suffering Joan Crawford is a character we find in so many of her films, most notably “Mildred Pierce” (1945).
Na cena da festa, uma jovem bêbada pergunta a Paul se ele é um lutador. De fato, é mais fácil imaginar John Garfield interpretando um homem durão – ele não parece adequado para o papel de um sensível violinista. Mas é justamente esta estranha mistura de força e talento com sensibilidade que levam Paul ao sucesso.

In the party scene, a tipsy young woman asks Paul if he is a prizefighter. Indeed, it’s easier to imagine John Garfield playing a tough man – he doesn’t seem suitable for the role of a sensitive violinist. But it is this odd mix of toughness and sensitive talent that makes Paul successful. 
Em geral, eu presto mais atenção ao roteiro que aos outros aspectos técnicos do filme, mas devo destacar como é excelente a edição em “Acordes do Coração”. Uma linda sequência de imagens mostra como Nova York era frenética mesmo durante a Grande Depressão. Muitos minutos depois, outra montagem nos leva junto com Paul por uma turnê pelos Estados Unidos. E tudo com música clássica na trilha sonora!

I often pay more attention to the storytelling than to the other technical aspects of a film, but I must point out how great the editing in “Humoresque” is. A wonderful sequence of images show how frantic New York was even during the Depression. Many minutes later, another sequence brings us along for Paul’s violin tour across America. All this with a classic soundtrack. 
Oscar Levant mostra aqui mais talento para a atuação e ironia que em “Sinfonia de Paris” (1951). Segundo relatos, ele improvisou a maioria de suas falas bem-humoradas. Outra ótima performance é de Ruth Nelson como a mãe zelosa. O jovem ator Bobby Blake, que interpretou Paul quando criança, tinha uma boa história de bastidores para contar: quando ele não conseguiu gravar uma cena como combinado, John Garfield esvaziou o set e dirigiu ele mesmo a cena de Bobby, desta vez com perfeição.

Oscar Levant shows more acting range and mordacity here than in “An American in Paris” (1951). He reportedly improvised most of his humorous and ironic lines. Another outstanding performance is the one by Ruth Nelson, as the zealous mother. Young actor Bobby Blake, who plays Paul as a child, had a good backstage story to tell: when he couldn't get a scene right, John Garfield cleared the set and directed Bobby's scene himself, this time with perfection.
“Acordes do Coração” é um belo melodrama que certamente agradará aos fãs de música clássica. John Garfield pode ser o protagonista, mas Joan Crawford é, como de costume, a melhor em cena – incluindo a dolorosa cena do telefone.

“Humoresque” is a beautiful melodrama that will certainly please classical music aficionados. John Garfield may be the lead, but Joan Crawford is, as often, the best in scene – including the telephone scene, so painful to watch.

This is my contribution to the John Garfield: The Original Rebel blogathon, hosted by Laura at Phyllis Loves Classic Movies.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Book review: My Wonderful World of Slapstick, by Buster Keaton

Em 1957, um filme chamado “O Palhaço que não Ri” chegou aos cinemas. Era um filminho estranho. Donald O’Connor fazia o papel de Keaton e a produção usa muita licença poética – ou seria cinematográfica? – para contar a trajetória do grande comediante – embora o próprio Buster tenha sido consultor técnico do filme. A melhor parte desta quase obra ficcional é sem dúvida uma sequência silenciosa em que Donald mostra suas habilidades acrobáticas.

In 1957, a film called “The Buster Keaton Story” hit theaters. It was a weird movie. It starred Donald O'Connor as Buster and took a lot of liberties while telling the life and times of the great comedian – even though Buster himself was a technical consultant in the film. The best part of this almost fictional work was without a doubt a silent sequence in which Donald could show his acrobatic abilities.
E talvez tenha sido por causa disso que Buster decidiu contar tudo sobre sua vida pessoal e profissional, tanto no vaudeville quanto no cinema e na televisão, no material mais confiável para histórias: papel impresso. Em 1960 sua autobiografia, “My Wonderful World of Slapstick”, foi publicada. Ela foi na verdade escrita por Buster com a ajuda de um ghost-writer, Charles Samuels, e o resultado não poderia ter sido melhor. É um livro divertido, charmoso e completo sobre o teatro, Hollywood, a vida de Buster e contém alguns detalhes interessantes, como a história de como o cachorro de Buster acompanhava Greta Garbo todos os dias em uma voltinha pelos estúdios da MGM.

And maybe that's why Buster decided to spill the beans about his personal life and career both in vaudeville, in movies and television, in the most reliable place for stories: printed paper. In 1960 his autobiography, “My Wonderful World of Slapstick”, was published. It was actually written by Buster with the help of a ghost writer, Charles Samuels, and the result couldn't have been better. It's a fun, charming, comprehensive book about theater, Hollywood, Buster's life and cool tidbits, like the story of how Buster's dog used to accompany Greta Garbo on a walk around the MGM lot after lunch every day.
Primeiro, Buster usa quase 100 páginas para contar suas peripécias nos tempos do vaudeville. Pode parecer demasiado para quem quer logo ler sobre sua carreira no cinema mudo, mas também é um ótimo apanhado de “causos” sobre aqueles anos dourados do teatro, quando Buster era chamado de “o esfregão humano” e grupos zelosos se preocuparam tanto, mas tanto com sua saúde que quiseram levá-lo para longe dos pais – e dos palcos – porque acreditavam que Buster estava sendo maltratado.

First, Buster spends almost 100 pages on his vaudeville days. It may look like a lot for those who want to read about his silent film days, but it's also a nice overview of those golden days of theater, when Buster was advertised as “the human mop” and zealous groups cared sooooo much about his health they wanted to take him away from his parents – and the stage – because they thought Buster was being mistreated. 
Buster tinha uma excelente memória e podia contar episódios de sua infância com riqueza de detalhes. Por isso, é impressionante o fato de que ele nunca teve uma educação formal – na verdade, ele passou apenas um dia na escola e foi expulso porque contava piadas demais na sala.

Buster had a wonderful memory and could tell episodes of his childhood with rich and colorful details. It's always awe-inducing the fact that he never had a formal education – in fact, he spent only one day at school before being expelled because of the jokes he told in class.
No livro, Buster dá sua opinião para alguns assuntos polêmicos. Ele defende seu grande amigo e mentor Roscoe ‘Fatty’ Arbuckle no escândalo que destruiu a vida e a carreira do rotundo comediante. Ele também menciona os problemas de Chaplin com os caça-comunistas e diz que o maior erro de Chaplin foi acreditar quando os críticos disseram que ele era um gênio, isso em 1923 – dali em diante, Chaplin tentou sempre se comportar como um gênio.

In the blunt book, Buster tells his opinions on some polemic topics. He defends his good pal and mentor Roscoe ‘Fatty’ Arbuckle in the scandal that destroyed his life and career. He also mentions Chaplin’s troubles with the HUAC and says that Chaplin’s biggest mistake was to believe when the critics said he was a genius, back in 1923 – from then on, Chaplin tried to always behave as a genius.
Mas Buster não esconde suas próprias falhas. Ele confessa que assinar contrato com a MGM e se submeter ao controle do estúdio foi o pior erro de sua vida. E ele é sincero em relação aos piores anos de sua vida, de 1933 a 1935, quando ele ficou sem emprego, se separou da primeira esposa e começou a exagerar na bebida.

But Buster doesn’t hide his own failures. He confesses that signing with MGM and submitting to the studio’s control was the worst mistake of his life. And he is candid when it comes to the worst years of his life, from 1933 to 1935, when he was left jobless, divorced his first wife and started drinking heavily.
É interessante que Buster cite o nome apenas de sua terceira esposa. As outras duas são tratadas como “minha primeira esposa” e “minha segunda esposa” – esta recebe apenas um parágrafo no livro. Ele menciona que sua primeira esposa era de família rica, mas não conta que ela era irmã das estrelas Norma e Constance Talmadge. Os leitores de então não teriam como descobrir o nome destas esposas, mas com a internet isso é possível, e a discrição de Buster se mostra inútil.

It’s interesting that Buster only cites his third wife’s name. The other two go as only “my first wife” and “my second wife” – this one gets only one paragraph in the whole book. He mentions that his first wife was from a rich family, but doesn’t tell that she was the sister of silent stars Norma and Constance Talmadge. Readers by then wouldn’t have sources to find out who the wives were, but with the internet nowadays we can name them, and Buster’s discretion falls flat.
Alguns momentos menos lembrados de sua vida também são contados no livro. Por exemplo, Buster ficou sete meses na Europa lutando na Primeira Guerra Mundial e quase ficou surdo não por causa de um ferimento de batalha, mas pela simples e constante exposição ao barulho de bombas.

Some less remembered parts of his life are also chronicled in the book. For instance, Buster spent seven months in Europe during World War I, and nearly became death not due to a battlefield injury, but by simply being exposed to floor drafts.
De sua carreira no cinema, ele conta algumas histórias dos bastidores de “Vaqueiro Avacalhado” (1925), “Marinheiro de Encomenda” e “O homem das Novidades” (ambos de 1928), mas mantém segredo sobre as técnicas utilizadas em sua obra-prima e filme favorito, “A General” (1926). Ele também dá detalhes sobre produções nunca feitas, mas que tinham muito potencial, em minha opinião. Entre elas estavam uma comédia com Buster e Marie Dressler e uma paródia de “Grande Hotel" (1932).

In his film career, he tells some backstage stories about “Go West” (1925), “Steamboat Bill Jr” and “The Cameraman” (both from 1928), but keeps secret about the techniques used in his masterpiece and personal favorite film, “The General” (1926). He also spills details about never-made productions that had a lot of potential, in my opinion. Among them there were an idea of a comedy pairing Buster and Marie Dressler and a spoof of “Grand Hotel” (1932).
Para tornar a experiência complete, através da escrita de Buster temos uma ideia de como Hollywood funcionava antes ainda da era de ouro. Arbuckle pensava que “a mentalidade média do nosso público é de doze anos”. Sid Grauman (proprietário do Grauman Chinese Theatre) adorava as pegadinhas inventadas por Arbuckle, Keaton e Al St. John na vida real. Irving Thalberg era brilhante e muito próximo de Keaton. E Louis B. Mayer era um grande homem de negócios, muito preocupado com todas as estrelas da MGM – afinal, ele achava que elas eram propriedade dele.

To make the experience complete, through Buster’s writing we catch a glimpse of how Hollywood worked even before the studio era. Arbuckle thought that “the average mentality of our movie audience is twelve years”. Sid Grauman (owner of the Grauman Chinese Theatre) really enjoyed the practical jokes put together by Arbuckle, Keaton and Al St. John in real life. Irving Thalberg was brilliant and very close to Keaton. And Louis B. Mayer was a great businessman who was also very worried about all MGM stars – after all, he thought they were HIS property.
Apesar das dificuldades que Buster teve na vida, ele se considera sortudo. Ele diz que os anos de azar foram tão poucos se comparados aos anos de alegria. E ele também ficava incrivelmente feliz quando era reconhecido por seus fãs ao redor do mundo. Eu fico imaginando o que ele diria sobre sua crescente e forte fandom online.

Despite the difficulties Buster met in his life, he considers himself lucky. He says that the years of misfortune were so few compared to the ones of joy. And he was also incredibly happy whenever he was recognized by his fans around the world. I wonder what he’d say about the strong, ever-growing Buster Keaton fandom online.
“My Wonderful World of Slapstick” é uma autobiografia deliciosa, escrita com humor e sentimento. É um livro que todo verdadeiro fã de Buster Keaton deveria ler, não apenas por causa de suas ótimas histórias, mas também por sua percepção de uma era passada e muito importante na história do entretenimento.

“My Wonderful World of Slapstick” is a delightful autobiography, written with humor and deep feelings. It’s a book every true Keaton fan should read, not only because his amazing stories, but also because of his painting of a bygone and very important era in entertainment.

“My Wonderful World of Slapstick” is on public domain and can be downloaded at the Internet Archive.

This is my contribution to the Third Annual Buster Keaton blogathon, hosted by Lea at Silent-ology.
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