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sábado, 19 de agosto de 2017

Glória e Poder / The Power and the Glory (1933)

O filme começa em um funeral. Então, a história de vida de um magnata é contada em flashback, começando com um episódio de sua infância. O filme é “Cidadão Kane” (1941), certo? ERRADO. É na realidade “Glória e Poder”, um filme feito oito anos antes de Kane e com Spencer Tracy como um magnata das ferrovias.

The movie starts at a funeral. Then, the life story of a mogul is told in flashback, starting with a glimpse of his childhood. The movie is “Citizen Kane” (1941), right? WRONG. It’s actually “The Power and the Glory”, a film made eight years before Kane and with Spencer Tracy as a railway mogul.
Thomas 'Tom' Garner (Tracy) não frequentou a escola, e aos 20 anos era ainda analfabeto. Mas ele era determinado, e por causa de seu amigo de infância Henry (Ralph Morgan), ele vai aprender com a professorinha local, Sally (Colleen Moore). Tom e Sally se casam, e ela o transforma: de fiscal de trilhos ele se torna engenheiro – com muito sacrifício por parte dela, é claro.

Thomas ‘Tom’ Garner (Tracy) didn’t go to school, and at age 20 he couldn’t read or write. But he was brave, and because of his childhood friend Henry (Ralph Morgan) he starts having lessons with the local schoolteacher, Sally (Colleen Moore). Tom and Sally get married, and she turns him from a track walker into an engineer – with a lot of her sacrifice, of course.
Mas o que glória e poder podem fazer com um homem? Tom se torna ambicioso graças a Sally, e consegue cada vez mais poder dentro da companhia ferroviária. Ele se torna o presidente da companhia, um magnata multimilionário, com um filho mimado e uma amante – bem ao estilo Kane, não?

But what can the power and the glory do to a man? Tom becomes ambitious thanks to Sally, and gets more and more power in the railway company. He becomes the president of the company, a multimillionaire mogul, with a spoiled young son and a mistress – very Kane-ish, ain’t it?
É difícil acreditar de Ralph Morgan é mais novo que Spencer Tracy – Morgan era quase 17 anos mais velho que ele, e percebe-se. Talvez seja o bigode de Morgan, né? Com o intuito de fazer ambos parecerem mais velhos, tanto Spencer Tracy quanto Colleen Moore, nas cenas que representam a máxima riqueza de Tom, têm cabelos grisalhos e murchos. Ambos tinham pouco mais de 30 anos, mas interpretavam personagens com cerca de 50. O resultado é um Spencer Tracy estranho aos nossos olhos... e platinado!

It’s hard to believe that Ralph Morgan is younger than Spencer Tracy – Morgan was almost 17 years older than him, and it showed. Maybe it’s Morgan’s moustache, right? In order to make them appear older, both Spencer Tracy and Colleen Moore, in the scenes featuring Tom’s maximum wealth, had their hairs painted gray and styled differently. Both were in their early 30s, but playing characters who were about 50. The result is that we have an odd-looking platinum blonde Spencer Tracy!
Não há muito acontecendo com os funcionários da rodovia – nós vemos apenas o drama do magnata, e o único funcionário que está sempre lá é Henry, que trabalha como secretário de Tom. Nós não vemos como de fato o ambiente de trabalho da ferrovia é – desculpe, não há grandes festas como as dadas por Charles Foster Kane. Os maiores problemas para quem trabalha nos trilhas são as greves e os perigos.

There is not much happening to the employees of the railway – we only see the mogul’s drama, and the only employee always there is Henry, who works as Tom's secretary. We don’t really see how the workplace of the railway is – sorry, there are no big wild parties like the ones Charles Foster Kane threw. The biggest troubles for those who work on the rails are the strikes and the dangers.
Bad mood
Good mood
Henry é o narrador da história, e os momentos com sua narração sobreposta às cenas e diálogos – como o pedido de casamento – são muito bons. O estúdio batizou esta técnica de narração como “narratage”. É incrível ver os momentos indo e voltando no tempo durante a narrativa, sem seguir a ordem esperada. Os eventos seguem a ordem da memória – e são contados conforme são lembrados por Henry e sua esposa.

Henry narrates the story, and the moments with voiceover narration over scenes and dialogues – like the wedding proposal – are very good. The studio named this voiceover narration technique “the narratage”. It’s great to see that the moments come back and forth in the narrative, not following an ordinary order. The events follow the order of memory – they are told as they are remembered by Henry and his wife.
Spencer e Colleen brilham mesmo estando em momentos muito diferentes da carreira. Tracy estava só começando, e sua carreira duraria mais 44 anos. Colleen estava terminando sua carreira: ela se aposentou em 1934, apenas um ano após fazer “Glória e Poder”. No filme, ambos são ótimos e têm atuações poderosas – mas eu atrevo a dizer que Colleen é a melhor em cena. Mas ela própria discordou de mim: ela disse que Tracy foi o melhor e mais talentoso ator com quem contracenou.

Spencer and Colleen are the ones who shine, even though they are in very different moments of their careers. Tracy was just beginning his career, one that would last for 44 more years. Colleen was ending hers: she retired in 1934, only one year after “The Power and the Glory” was made. In the movie, they are amazing and deliver powerful performances – but I dare saying that Colleen was the best in the movie. But the girl herself disagreed with me: she said Tracy was the best and most talented male co-star she ever had.
De onde veio uma história tão boa? Se havia Orson Welles por trás de “Cidadão Kane”, a grande mente por trás de “Glória e Poder” era ninguém mais ninguém menos que Preston Sturges, que recebeu pelo roteiro incríveis 17500 dólares (equivalente a mais de 320 mil dólares hoje). Jesse L. Lasky, um dos fundadores dos estúdios Paramount – originalmente chamados Famous Players-Lasky – foi mandado embora de seu estúdio e então contratado pela Fox. Lasky gostou tanto do roteiro de Sturges que exigiu que ele fosse filmado pelo diretor William K. Howard sem nenhuma modificação – e graças a Deus ele fez esta exigência.

Where did such a great story came from? If there was Orson Welles behind “Citizen Kane”, the great mind behind “The Power and the Glory” was no other than Preston Sturges, who received for the script amazing 17,500 dollars (more than 320,000 dollars, adjusted to inflation). Jesse L. Lasky, one of the founders of Paramount Studios – originally called Famous Players-Lasky – was kicked out of his studio and then hired by Fox. Lasky liked Sturges’s script so much that he demanded it to be filmed by director William K. Howard without any changes – and thank God he did.
Preston Sturges
Orson Welles viu “Glória e Poder”? O filme estreou quando ele tinha 18 anos, então há uma chance de que ele tenha visto. Welles pode ter ganhado o Oscar de Melhor Roteiro Original quando fez Kane, mas precisamos notar que sua maior conquista com sua obra-prima foi uma conquista técnica. Ironicamente, Welles ganhou o prêmio no ano seguinte à vitória de Sturges – aquele que foi o primeiro a contar uma história emocionante de glória, poder, infelicidade e ruína.

Did Orson Welles see “The Power and the Glory”? The film was released when Welles was 18, so there is a good chance he did. Welles might have won the Best Original Screenplay Oscar when he did Kane, but we have to agree that his biggest accomplishment with his masterpiece was a technical one. Ironically, Welles won the award right after Sturges – who was the first one to tell a moving story of power, glory, unhappiness and decay.

This is my contribution to the Workplace in Film and TV Blogathon, hosted by Debra at Moon in Gemini.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Uma Alma Livre / A Free Soul (1931)

É San Francisco, a cidade do pecado! Um homem (Lionel Barrymore) está lendo um jornal quando a sombra de uma mulher se projeta na parede do banheiro. A mulher está nua e pede para ele trazer a lingerie até ela. Ele faz isso, e podemos ver um belo sutiã sendo exibido. A garota (Norma Shearer) sai do banheiro e toma o café da manhã mais rápido da história enquanto fala que ambos “não são respeitáveis”. Nós descobrimos que eles são Stephen e Jan Ashe, pai e filha, e felizmente não outra coisa, como imaginamos.

It's San Francisco, the Sin City! A man (Lionel Barrymore) is reading the newspaper when a woman's shadow appears in the bathroom walls. The woman is naked and asks him to bring her undergarments. He does that, and we can see a bra being exhibited. The girl (Norma Shearer) goes out of the bathroom and has the quickest breakfast in history while saying that they both “are not respectable”. We learn that they are Stephen and Jan Ashe, father and daughter, and thankfully not something else as we were lead to believe.
Stephen é um advogado brilhante. Infelizmente, ele também é alcoólatra – algo para que todos ao seu redor literalmente viram as costas. O cliente a defender naquele dia é o jogador Ace Wilfong (Clark Gable sem bigode), um homem cuja vida depende de um chapéu como evidência. Jan e Ace se interessam um pelo outro quando trocam o primeiro olhar.

Stephen is a brilliant lawyer. Unfortunately, he is also a hevay drinker – something everybody around him literally turn their backs to. His client of the day is gambler and bootlegger Ace Wilfong (Clark Gable sans moustache), a man whose life depends on a hat as an evidence. Jan and Ace get interested in each other in the moment their eyes meet.
Mas Jan recentemente ficou noiva de Dwight Winthrop (Leslie Howard), um homem insistente que é aprovado por todos da esnobe família dela, incluindo o pai dela. Mas ela não quer aprovação: ela quer amor e prazer. Quando seu pai demonstra que não está feliz com o relacionamento, ela propõe uma troca: Jan vai parar de se encontrar com Ace se Stephen parar de beber.

But Jan has recently got engaged to Dwight Winthrop (Leslie Howard), an insistent man who her whole snob family, including her father, approves. But she doesn't want approval: she wants love and pleasure. When her father shows he isn't happy with her relationship, she sets a deal: Jan will stop seeing Ace if Stephen stops drinking.
Jan é dona de si. Ele é adorável, charmosa, provocante. Ela veste lindas roupas – desenhadas por Adrian! - e ama seu pai mais que tudo no mundo. Norma Shearer e Lionel Barrymore estão ótimos juntos. Eu adorei a cena em que Stephen vê pela primeira vez Jan e Ace juntos: em completo silêncio, nós podemos perceber a vergonha e frustração nos olhos deles.

Jan is a very free woman. She is adorable, charming, provocative. She has wonderful clothes – designed by Adrian! - and loves her father more than anything in the world. Norma Shearer and Lionel Barrymore are great together. I loved the scene in which Stephen first saw Jan with Ace: it's completely silent, but we can see the shame and disappointment in their eyes.
Lionel Barrymore é o primeiro de uma lista de atores que ganharam o Oscar interpretando bêbados. Ele também é um dos atores que ganharam o Oscar interpretando um advogado – veja o diagrama de Venn abaixo. Suas cenas durante a crise de abstinência são poderosas, mas não tanto quanto as de Ray Milland em “Farrapo Humano” (1945). Seu grande final no tribunal é cheio de honra e culpa ultrapassadas, mas é ali que ele mostra a que veio.

Lionel Barrymore is the first in a list of actors who won the Oscar playing drunk characters. He is also one of the actors who won the Oscar playing a lawyer – see the Venn diagram below. His scenes during abstinence are powerful, but not as powerful as Ray Milland in “The Lost Weekend” (1945). His grand finale in the courtroom is filled with outdated honor and guilt, but it is here that he nails it.
P.S.: Click to enlarge
O filme é cheio de elementos dos pre-Codes e toques eróticos. Ele certamente deu dor de cabeça para a censura. Se você gosta de dramas com surpresas e toques ousados, “Uma Alma Livre” é um filme que você não pode perder.

The film is full with pre-Code elements and erotic touches. It was certainly a headache for the censors. If you like dramas with plot twists and naughty touches, “A Free Soul” is definetely a film not to be missed.

This is my contribution to the Third Annual Barrymore Trilogy Blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

sábado, 5 de agosto de 2017

Nunca Me Deixes Ir / Never Let Me Go (1953)

Alguns relacionamentos estão amaldiçoados desde o começo – como o de Romeu e Julieta, que eram membros de famílias rivais. E não havia nada mais moderno em termos de rivalidade em 1953 do que a Guerra Fria. Por isso temos em “Nunca Me Deixes Ir” Romeu e Julieta modernos: ele, Philip Sutherland (Clark Gable), é americano, e ela, Marya Lamarkina (Gene Tierney), é russa.

Some relationships are doomed from the start – like Romeo and Juliet, who were the children of rival families. And there was nothing more modern in terms of rivalry in 1953 than the Cold War. So, we have in “Never Let Me Go” a modern Romeo and Juliet: he, Philip Sutherland (Clark Gable), is an American, and she, Marya Lamarkina (Gene Tierney), is Russian.
A história começa no dia da vitória – o dia em que a Segunda Guerra Mundial foi oficialmente vencida pelos Aliados. Philip, um jornalista, vem mandando flores para Marya, uma bailarina, há mais de um ano. Ele nem imagine que ela corresponde o seu amor e está aprendendo inglês para finalmente poder falar com ele. A oportunidade aparece naquela noite, quando ela dá uma entrevista a uma rádio da Inglaterra e se dirige a ele. É a primeira vez que eles conversam, e as coisas vão bem rápido a partir daí. Em pouco tempo eles estão casados.

The story begins on V Day – the day the Second World War was oficially won by the Allies. Philip, a journalist, has been sending flowers to Marya, a ballerina, for over a year. Little does he know that she corresponds his affection and is learning English in order to finally talk to him. The opportunity appears that night, when she gives an interview to a radio from England and hints at him. It's the first time they talk, and things move pretty quickly for them. In little time they are married.
Mas a alegria não dura para sempre. Os pais dela foram mandados para o exílio e a deixaram na escola de balé. Ela sabe que os soviéticos podem ser cruéis e negar um visto para que ela vá para os Estados Unidos com o marido – eles já fizeram isso com a amiga dela, Svetlana. Ele não liga para a paranoia dela – afinal, 'isso não vai acontecer conosco', ele diz, 'Joe' Stalin – como ele se refere ao líder – não vai se importar com um simples casal.

But joy doesn't last forever. Her parents were sent to exile and left her in ballet school. She knows that the Soviets can be cruel and deny her a visa to go to the US with her husband – they already did it to her friend Svetlana. He doesn't care for her paranoia – after all, 'it won't happen to us', he keeps repeating, 'Joe' Stalin – as he refers to the leader – won't care for a simple couple.
Nós temos um aliado que vai tentar ajudar o casal a ficar junto: Steve Quillan (Kenneth Moore), um radialista inglês que conhece a censura logo no começo do filme e mais tarde decide desafiar as autoridades soviéticas mandando mensagens cifradas através de seu programa de rádio.

We have an ally who will try to help the couple stay together: Steve Quillan (Kenneth Moore), an English radio journalist who feels the censorship right in the beginning of the film and later decides to defy the Soviet authorities by sending secret messages through his radio program.
Este filme tem um quê de propaganda – não há dúvidas a respeito disto. Como a liberdade é um direito tão importante e amado nos Estados Unidos e em outros países ocidentais, o filme foca na pouca liberdade que o povo da União Soviética tem – eles não podem ser felizes a não ser que isso beneficie os sovietes, ou o coletivo. A busca pelo amor é o tema aqui – e vamos combinar: a indústria do cinema em Hollywood foi basicamente construída em cima de filmes sobre a busca pelo amor.

This movie has a propaganda feeling – there is no doubt about it. Being liberty such a beloved and important right in the US and other western countries, the film focuses on the lack of freedom the people of the Soviet Union have – they can't be happy unless it benefits the Soviets, the collective. The pursuit of love is the theme here – and let's face it: the Hollywood industry was basically built with movies about the pursuit of love.
O filme é narrado por Clark Gable, até que de repente o narrador muda, na marca de 40 minutos. Agora é Joe (Bernard Miles), um engenheiro naval, que dá sua opinião sobre as atitudes de Philip. Alguns minutos depois, Gable volta à sua função de narrador. Eu me pergunto se o mesmo acontece no livro que inspirou o filme. E falando em estranhezas, “Nunca Me Deixes Ir” tem pouco balé e muita vodca. Os momentos com vodca são, entretanto, os mais divertidos.

The film is narrated by Clark Gable, until it suddenly shifts narrator at 40 minutes or so. Now it's Joe (Bernard Miles), a boat engineer, who gives his impressions about Philip's actions. A few minutes later, Gable is back at his position as narrator. I wonder if it also happens in the book that served as the source for the movie. Speaking of oddities, “Never Let Me Go” has too much vodka and too little ballet. The vodka moments are, nevertheless, the funniest.
É Gene Tierney mesmo dançando? Bem, ela começou a fazer aulas de balé para fazer o filme, mas o mais provável é que não seja ela nos momentos mais complicados – como quando vemos a Rainha dos Cisnes dançando na ponta dos pés em O Lago dos Cisnes, porque é uma tomada longa e não podemos ver com clareza o rosto da bailarina. Vemos Gene em close-ups, mas uma coisa é verdade: por causa do filme ela se apaixonou por balé e continuou indo a e patrocinando espetáculos de balé até o fim da vida.

Did Gene Tierney do her own dancing? Well, she started having ballet lessons in order to do this film, but it's more probable that it's not her in the more complicated moments – like when we see the Swan Queen dancing en pointe in The Swan Lake, because it is a long shot and we can't clearly see the ballerina's face. We see Gene only in close-ups, but one thing is true: because of this film she fell in love with ballet and kept going to and sponsoring ballet recitals until the end of her life.
Tierney é linda e adorável, embora seu sotaque incomode um pouco. Mas o filme é de Gable – é ele que faz todo o esforço para 'nunca deixá-la ir'. É impossível não torcermos por Philip e Marya – e isto por causa de uma escolha sábia de elenco porque, convenhamos, que ator do cinema clássico representa os Estados Unidos melhor que Clark Gable, que pode inclusive ser considerado o melhor exemplo de estrela do sistema de estúdio? É um filme pró-americano, mas com um detalhe interessante: uma russa em particular não vê problema em dedurar camaradas quando necessário – algo que americanos bons e preocupados estavam fazendo então durante as investigações anti-comunistas da caça às bruxas, e estão fazendo agora também. No final, americanos e russos não são tão diferentes.

Tierney is gorgeous and lovely, even though her accent bothers us a little. But it is Gable's film – he is the one making all the effort to 'never let her go'. We can't avoid rooting for Philip and Marya – and this due to a wise casting choice because, come on, which classic Hollywood actor embodies America better than Clark Gable, who may even be the best example of star of the studio system? It is a pro-America film, but with an interesting twist: a particular Russian sees no problem in 'naming names' when necessary – something good, worried Americans were doing in the HUAC investigations back then, and are even doing now. In the end, Americans and Russians are not very different from each other.

For a different take on this film, check the review at Phyllis Loves Classic Movies!

This is my contribution to the En Pointe: The Ballet blogathon, hosted by Michaela at Love Letters to Old Hollywood and Christina at Christina Wehner.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Book review: Masters of Cinema – Alfred Hitchcock, by Bill Krohn

Quantos livros já foram escritos sobre Alfred Hitchcock, o mestre do suspense? Uma busca rápida no site Goodreads nos dá mais de 2600 resultados – mais de 2600 livros escritos sobre ou levando a marca de Hitchcock. O fino livro de Bill Krohn pode ser só mais um neste vasto universo, mas é muito interessante, e um bom ponto de partida para os novatos.

How many books have been written about Alfred Hitchcock, the Master of Suspense? A quick search at Goodread finds more than 2600 results – more than 2600 books written about or carrying the Hitchcock brand. Bill Krohn's thin book may be only another in this vast universe, but it is a very interesting one, and a good starting point for newbies.
Sim, este é um livro pequenino – menos de 100 páginas, e com muitas imagens – mas cobre todos os filmes que Hitchcock fez. Ah, sim, há apenas uma linha sobre “Um casal do barulho” (1941), mas todos os filmes são mencionados em um ótimo guia com especificações técnicas e uma breve sinopse de cada um. Ao longo do livro, todos os livros são discutidos em ordem cronológica, alguns com grandes spoilers – como “Um corpo que cai” (1958) – e alguns com observações pessoais do autor que, por falar nisso, odiou “Os Pássaros” (1963).

Yes, this is a very tiny book – less than 100 pages, and a lot of images – but it covers all films Hithcock did. Oh, yes, there is only one line about “Mr and Mrs Smith” (1941), but all the movies are mentioned in a nice guide presenting the technical data and a brief summary of each film. Througout the book, all films are discussed chronologically, some with major spoilers – like “Vertigo” (1958) – and some with a lot of personal input by the author who, by the way, hated “The Birds” (1963).
As informações sobre os filmes não apresentam surpresas. Nós encontramos fatos reveladores nas histórias de bastidores e nos ensaios espalhados pelo livro. Eu particularmente gosto do 'motif', do tema constante que o autor escolhe: comparar Hitchcock e DeMille. Hitchcock foi muito influenciado por outros mestres, mas a conexão com DeMille não é a primeira em que pensamos quando suas influências são discutidas. Porém, o livro nos lembra de que o tempo todo, talvez de maneira inconsciente, DeMille estava lá. Da mesma maneira, Fritz Lang também estava lá influenciando Hitchcock, mas o próprio Hitch era reticente ao falar do que apreendeu de Lang. O autor se refere à estranha relação de Hitch com seus 'pais cinematográficos' como 'ansiedade / fobia de influência'.

But the films themselves don't present any surprise. We find eye-opening facts in the backstage stories and the essays disposed here and there. I particularly like the 'motif', the constant theme that the author has of comparing Hitchcock and DeMille. Hitchcock was heavily influenced by other masters, but the connection with DeMille is not the first we think about when his influences are discussed. But the book reminds us that all the time, maybe in an unconscious way, DeMille is there. The same way, Fritz Lang was also there influencing Hitchcock, but Hitch himself was reticent when talking about what he got from Lang. The author refers to Hitch's odd relationship with his 'cinematic fathers' as 'anxiety of influence'.
Ao seguir esta linha de influências, o autor escreve o livro como quem escreve uma tese – provando suas hipóteses sempre que tem chance. Não estou reclamando, porque esta é uma hipótese muito interessante! Também há muitas notas ao final do livro, que vão mencionar outros trabalhos e podem ser o primeiro passo para estudarmos Hitchcock melhor. O único problema que eu tive foi com a comparação do autor com Hitchcock 'originando o vocabulário do horror' com “Psicose” (1960) com Griffith 'originando o vocabulário cinematográfico' em “O Nascimento de uma Nação” (1915). Todos nós – e Fritzi do site Movies, Silently em particular – sabemos que Griffith não foi pioneiro com as técnicas que usou em seu pequeno filme racista.

In following this line of influences, the author writes the book as someone writes a thesis – by proving his hypothesis every time he has a chance to do so. I'm not complaining, because it is a very interesting hypothesis! Also, there are lots of notes in the book, that reference other works and may be the first step for us to study Hitchcock further. The only problem I had was with the author's comparison of Hitchcock 'giving birth of horror vocabulary' in “Psycho” (1960) with Griffith 'giving birth to the cinematic vocabulary' in “The Birth of a Nation” (1915). We all – and Fritzi from Movies, Silently in particular – know that Griffith was no pioneer with the techniques he used in that little racist movie.
Além das comparações com outros cineastas, o livro apresenta paralelos dos filmes de Hitchcock com outros trabalhos literários, mitos e teorias filosóficas. Estes momentos tornam o livro mais rico e demonstram o vasto conhecimento do autor.

Besides the comparisons with other filmmakers, the book presents a lot of parallels of Hitchcock's movies with other literary works, myths and philosophical theories. These moments make the book richer and show the vast knowledge of its author.
A série de livros 'Masters of Cinema' foi publicada pela Cahiers du Cinéma, e eu comprei a versão em inglês. Eu também tenho um livro deles sobre Stanley Kubrick, e sei que a coleção também tratou dos trabalhos de Kurosawa, Billy Wilder, Scorsese, Spielberg e Woody Allen. Eu recomendo muito este livro não como uma grande aula sobre Hitchcock, mas como o primeiro passo em uma aventura cheia de suspense na qual descobriremos mais sobre sua obra.

The 'Masters of Cinema' series was published by the Cahiers du Cinéma, and my copy was in English. I also own their book about Stanley Kubrick, and I know that the collection also dealt with the works of Kurosawa, Billy Wilder, Scorsese, Spielberg and Woody Allen. I highly recommend this book not as a masterclass on Hitchcock, but as the first step in a suspenseful adventure discovering more about his work.

This is my contribution to the Alfred Hitchcock blogathon, hosted by Maddy Loves Her Classic Films.

This book is part of Raquel's 2017 Summer Reading Classic Film Book Challenge

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Papai é do Contra / Hobson's Choice (1954)

A música que acompanha os créditos iniciais dá um tom de brincadeira. Logo depois do final dos créditos, muda o tom: há uma tempestade,e uma bota suspensa que me fez pensar que um homem havia acabado de ser enforcado. Mas o tom não permanece sério por muito tempo: a bota é, felizmente, apenas parte da decoração da loja do Sapateiro Hobson. Dentro da loja, diversos sapatos das eras Vitoriana e Eduardiana. Algumas folhas de árvore batem nas janelas, a porta da loja abre de repente, o próprio Hobson entra, e ele arrota.

The music that accompanies the opening credits is extremely playful. Right after the credits end, things change: there is a storm, and a boot that made me believe was from a man who had just been hanged. But things don't get serious for too long: the boot is, thankfully, only part of the marquise of the Hobson Boot Maker shop. Inside of it, lots of Victorian / Edwardian shoes. Some tree leaves hit the window, the door opens suddenly, enters Hobson himself, and he burps.
Henry Hobson (Charles Laughton) gosta de bebida alcoólica, é viúvo e tem três filhas: Alice, Vicky e Maggie. Ele decide encontrar maridos para as duas mais novas, porque 'Maggie é útil demais para se deixar ir' – mas ele realmente quer dizer que a) ela é como uma figura materna, que cuida dele, e b) ela é velha demais para se casar (meu Deus, afinal, ela jé tem 30 anos!). Ah, e os maridos que ele quer para as filhas devem ser abstêmios – eles não podem beber.

Henry Hobson (Charles Laughton) likes to drink, is a widower and has three daughters: Alice, Vicky and Maggie. He decides to find husbands for the two younger girls, because 'Maggie is too useful to part with'- nah, he actually means that a) she is like a mother figure, taking care of him, and b) she's too old to get married (OMG, she is 30!). Oh, and the husbands he wants for his daughters must be temperance men – they can't drink.
Hobson rapidamente desiste do plano de casamento quando ele descobre que organizar o casamento de uma filha é um negócio caro. Ele prefere ver as filhas solteironas e infelizes. Mas Maggie (Brenda De Banzie) não vai aceitar este destino: sendo uma mulher esperta e prática, ela decide se casar com Willie Mossop (John Mills), o simplório homem que fabrica botas para Hobson – mas ele é o melhor artesão de calçados da cidade. O plano de Maggie é abrir com o marido um negócio para fazer concorrência à loja de seu pai.

Hobson is quickly dissuaded from his marrying plan when he learns that marrying a daughter is too expensive a business. He prefers to see his daughters as old maids, unhappy. But Maggie (Brenda De Banzie) won't accept this fate: as a clever and practical woman, she decides to marry Willie Mossop (John Mills), the simple man who works for the Hobsons' as a boot maker – the best boot maker in town, to be precise. Maggie's plan is to start a business with her husband to rival her father's shop.
Henry Hobson não seria considerado um bom pai nos dias de hoje – e eu imagino se ele sequer foi considerado um bom pai em 1954. Ele explora suas filhas, fazendo-as trabalhar para ele sem receber salário. Ele até ameaça e bate em seu funcionário Willie. Sim, posso ver que se trata de uma comédia e Hobson pode ser uma figura caricata, mas eu me pergunto se ainda não há homens que pensam e se comportam como ele – e com certeza estes ogros existem.

Henry Hobson would not be considered a good father today – and I wonder if he was considered good back in 1954. He explores his daughters, making them work for him without receiving a wage. He even threatens and beats his employee Willie. Yes, I can see that the film is a comedy and Hobson may be a caricature, but I wonder if there are men who still think and behave like Hobson – and for sure there are ogres like him in the world.
Willie tem olhos esbugalhados, está sempre surpreso e seu corte de cabelo me faz lembrar um dos Três Patetas. Tanto Laughton quanto Mills têm ótimos momentos mostrando habilidades na comédia física: Laughton quando está bêbado e tenta “pisar na Lua”, e Mills quando está se despindo para sua incomum noite de núpcias.

Willie has his eyes wide open, very surprised, and a weird, Stooge-like haircut. Both Laughton and Mills have great moments showcasing physical comedy: Laughton when he is drunk and tries to “step on the moon”, and Mills when he is undressing for his uncommon wedding night.
Você deve ter visto Brenda De Banzie como a sequestradora em “O Homem que Sabia Demais” (1956). A atuação dela em “Papai é do Contra” não podia ser mais diferente do que apresenta no suspense. Maggie é uma mulher esperta que manipula as situações para que tudo ocorra como ela deseja. Ela pode ser a “grande mulher por trás de um (aparente) grande homem”, mas este era o único modo que, durante séculos, as mulheres espertas tinham de conseguir o que queriam. Aliás, seria Maggie sufragista?

You may know Brenda De Banzie only as a child kidnapper in “The Man who Knew Too Much” (1956). Her performance in “Hobson' Choice” can't be more different than that. Maggie is a smart woman who manipulates situations in order to make things go the way she wants. She may be the “great woman behind a (seemingly) great man”, but this was the only way that, for centuries, smart women could get what they wanted. By the way, could Maggie be a suffragette?
Na língua inglesa, e especialmente no Reino Unido, a expressão “Hobson's choice” significa “uma escolha aparentemente livre em que na verdade não há alternativa”, de acordo com o dicionário Merriam-Webster. A origem da expressão é encontrada no final do século XVI, quando um homem que alugava cavalos chamado Thomas Hobson decidiu que seus clientes deveriam escolher entre alugar o cavalo que ele tinha disponível ou ficar sem cavalo. A expressão se tornou popular com o passar dos anos e deu o nome à peça de 1915 que serviu de base para o filme.

In the English language, and especially in the UK, the expression “Hobson's choice” means “an apparently free choice when there is no real alternative”, according to the Merriam-Webster dictionary. The origin of the expression is found at the late 16th century, when a horse rental man called Thomas Hobson decided that his costumers should choose between renting the horse he had available for them, or no horse at all. The expression became popular with time and named the 1915 comedy play that was the basis for this film.
David Lean é mais lembrado pelos grandes épicos que ele fez em Hollywood e filmou em locação: “Lawrence da Arábia” (1962) e “Doutor Jivago” (1965). De seu período inglês, o filme mais conhecido é o sensível drama “Desencanto” (1945), e por isso muitas pessoas podem ter dificuldade em imaginar Lean fazendo comédia. Mas ele podia fazê-la muito bem. Sim, o texto, a fotografia de uma Londres não romântica e o ótimo elenco ajudam, mas não podemos negar que “Papai é do Contra” é outra grande obra da carreira de Lean.

David Lean is best remembered by the big epics he did in Hollywood and filmed on location: “Lawrence of Arabia” (1962) and “Doctor Zhivago” (1965). From his English period, the best known movie is the sensitive drama “Brief Encounter” (1945), and that's why many people have a hard time imagining Lean doing comedy. But he could do it very well. Of course, the text, the cinematography of a non-romantic London and the great cast help a lot, but we can't deny that “Hobson's Choice” was another great achievement in Lean's career.


This is my contribution to the 4th Annual British Invaders Blogathon, hosted by Terence at A Shroud of Thoughts.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Julie (1956)

Nós estamos acostumados a ver Doris Day feliz – e às vezes um pouco irritada com Rock Hudson. Por isso, a maioria das pessoas nunca imaginaria que ela fez um filme noir – mas ela fez, e em sua própria produtora. Com orçamento apertado, mas grande impacto, “Julie” é um filme em que, assim como em “A Teia de Renda Negra” (1960), Doris está em perigo, e o perigo está mais próximo do que ela imagina.

We're used to seeing Doris Day happy – and sometimes playfully angry with Rock Hudson. So, most people would never imagine that she did a noir – but she did, and in her own production company. Made cheaply but with a good impact, “Julie” was a film in which, just like in “Midnight Lace” (1960), Doris is in danger and the danger is nearer than she thought.
Você sabe que um relacionamento é tóxico ao passar dois minutes com o casal e ver a mulher reclamando que o homem fica com ciúmes quando ela conversa com outros homens, e a reação dele é pisar no acelerador e fazer com que o carro que ela dirija dispara em alta velocidade pela estrada. Ele toma o volante, para o carro, ela sai correndo, ele corre atrás dela e diz que sente muito. Eles se beijam. E é assim que somos apresentados a Julie (Doris Day) e Lyle Benton (Louis Jourdan).

You know a relationship is toxic when, spending two minutes with the couple, you see the woman complaining that the man is jealous because she was talking to other men, and his reaction is to step in the accelerator and make the car she is driving go dangerously fast through the road. He grabs the wheel, stops the car, she runs, he runs after her and says he's awfully sorry. They kiss. This is how we're introduced to Julie (Doris Day) and Lyle Benton (Louis Jourdan).
Julie é viúva. Seu primeiro marido, Bob, cometeu suicídio por causa de problemas financeiros. Mas o amigo de Julie, Cliff Henderson (Barry Sullivan) acredita que o corpo de Bob tenha sido movido para criar uma cena de suicídio – ele pode ter sido estrangulado e só então uma corda foi colocada em seu pescoço.

Julie is a widow. Her first husband, Bob, killed himself because of financial troubles. But her friend, Cliff Henderson (Barry Sullivan) believes Bob's death may have been staged to look like a suicide – he could have been strangled and then a rope was put around his neck.

De maneira cínica, Lyle confessa durante a noite que matou Bob, e que não pensaria duas vezes para matar Julie. Ela foge na manhã seguinte, e chega a uma delegacia em uma cidade vizinha – porque o casal Benton vive à beira-mar. Lá, os policiais dizem que uma esposa não pode testemunhar contra o marido – uma lei bizarra que ainda existe hoje nos EUA –, que se todas as ameaças que os maridos fazem às esposas fossem considerados crimes, as cadeias teriam de ser gigantescas, e ainda dizem a Julie e Cliff que acreditam que Julie é apenas uma esposa histérica em busca de vingança, sem evidências para o que acusa. São todas falas machistas, mas que infelizmente ainda hoje são repetidas.

In a cynical way, Lyle confesses during the night that he killed Bob, and he wouldn’t think twice to kill Julie. She runs away the next morning, and arrives to a police station in a neighboring town – because the Bentons live by the seashore. There, the policemen remind her that a wife can't testify against her husband – which is still a thing in 2017 –, that if all threats against wives were considered crimes, the prisons would have to be huge, and tell Julie and Cliff that they believe Julie is just a hysterical wife looking for revenge without evidences. All very sexist statements, but unfortunately they are still repeated today.
Ninguém pode negar que Louis Jourdan é charmoso – mas com seus olhos sem vida e parados no filme, ele é sinistro. Um motif recorrente é a música que Lyle toca ao piano. Depois de sua discussão com Julie, a música se torna mais macabra e é tocada com mais força. Mais tarde, ele grava a música para atormentar Julie.

Nobody can deny that Louis Jourdan is handsome – but with his lifeless, crazy eyes in this film, he is more of a creeper. One recurring motif is the piano music Lyle plays. After his first argument with Julie, his music becomes more macabre and it’s played with more strength. Later, he records the song in order to torment her.
O filme grita noir. Nós temos a fotografia em preto e branco, cheia de sombras e contrastes e a narração  - desta vez feita pela própria Julie, e devemos nos lembrar de que mulheres como narradoras no noir era coisa rara.

This film screams noir. We have the shadowy black and white photography and the voiceover narration – this time by Julie herself, and we must remember that women as noir narrators were the exception.
Nos primeiros minutes, o filme me fez lembrar “Rebecca – A mulher inesquecível” (1940). “Julie” também tem um casal problemático vivendo em uma mansão isolada, e o primeiro marido Bob é como a primeira esposa Rebecca – sempre mencionado, nunca visto, e fundamental para a trama. A única diferença é que Bob é uma figura menos sinistra e enigmática que Rebecca.

In the first few minutes, this film reminded me of “Rebecca” (1940). “Julie” also has a problematic couple in a far-away mansion, and first husband Bob is like first wife Rebecca – always mentioned, never seen, and fundamental to the plot. The only difference is that Bob is a less sinister and enigmatic figure.
O filme espelhava um pouco a vida de Doris Day. Ela estava reticente em aceitar o papel porque Lyle a lembrava de seus dois primeiros maridos. O problema é que seu terceiro marido, Martin Melcher, que também co-produziu o filme, mostrou o mesmo ciúme quando Doris conversava com Louis Jourdan nos intervalos das gravações. Além disso, ele não se importou com a saúde de Doris e, seguindo a doutrina da ciência cristã, disse para ela “ter fé” para ser curada de um mal-estar que depois foi descoberto ser um tumor maligno.  

The film mirrored Doris's real life a bit. She was reticent about accepting the part because Lyle reminded her of her two first husbands. The problem was that her third husband, Martin Melcher, who also co-produced the film, behaved with the same jealousy when Doris got along well with Louis Jourdan during shooting. Besides that, he didn't care for her sickness and, in Christian Science fashion, told her to “have faith” to be cured of an ailment that was later discovered to be a cancerous tumor.
Com toda a perseguição acontecendo na tela, há chances de que você não tenha visto o nome ‘Mae Marsh’, o último na lista de créditos iniciais. A donzela do cinema mudo Mae Marsh tem a honra de interpretar a ‘passageira histérica’ em “Julie”. Ela foi figurante em diversos filmes dos anos 40 e 50, e encontrá-la na tela se tornou um passatempo para mim.

With all the cat and mouse game going on onscreen, there are chances you missed the name ‘Mae Marsh’, the last one in the credits. Silent screen damsel Mae Marsh had the honor to play the “’hysterical passenger’ in “Julie”. She was an extra in several talkies from the 1940s and 1950s, and spotting her has become a favorite game of mine.
“Julie” é um filme tenso, embora longo demais, e os últimos 15 minutos são um pouco chatos – ou assustadores, dependendo da sua experiência com aviões. Eu diria que os últimos 15 minutos são desnecessários, mas o filme é interessante e pode ser considerado um noir singular.

“Julie” is a very tense film, although it is a bit too long and the final 15 minutes are kinda boring – or terrifying, depending on your experience with airplanes. I’d just say that the last 15 minutes are unnecessary, but the film is enjoyable as a singular noir.


This is my contribution to the ‘Till Death Us Do Part blogathon, hosted by Theresa at CineMaven’s Essays from the Couch.
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