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domingo, 3 de dezembro de 2017

No Teatro da Vida / Stage Door (1937)

Sair de casa para ir em busca dos seus sonhos nunca é fácil. Nçao que eu já tenha feito isso – embora já tenha chegado perto – mas os filmes me fazem pensar que não é fácil. E “No Teatro da Vida”, em particular, me causou esta impressão.

Leaving home in order to pursue your dreams in never easy. Not that I have done this myself – I only came close – but movies make me think that it is not easy. And “Stage Door” in particular gives me this feeling.
A mais nova moradora do pensionato da Sra. Orcutt é Terry Randall (Katharine Hepburn), uma moça elegante e educada. Isso nçao significa que ela não saiba se defender das outras moças, todas muito diferentes dela. Tery é fluente em sarcasmo, e o usa com perfeição em uma batalha de boas tiradas contra sua nova colega de quarto, Jean Maitland (Ginger Rogers).

The newest arrival in Mrs. Orcutt's boarding house for young and aspiring actresses is Terry Randall (Katharine Hepburn), a fancy and polite lady. This doesn't mean that she can't defend herself against the other girls, who are very different from her. Terry is fluent in sarcasm, and uses it perfectly in a battle of wits with her new roommate, Jean Maitland (Ginger Rogers).
Jean também não se dá bem com a esnobe Linda Shaw (Gail Patrick), que está saindo com o empresário Anthony Powell (Adolphe Menjou). Powell é a última esperança para outra garota do pensionato, Kay Hamilton (Andrea Leeds, em uma ótima performance), que não consegue trabalho há mais de um ano e está passando fome para ter dinheiro para pagar o aluguel.

Jean is also not very friendly with snobbish Linda Shaw (Gail Patrick), who is going out with manager Anthony Powell (Adolphe Menjou). Powell is the last hope for another girl in the boarding house, Kay Hamilton (Andrea Leeds, in a great performance), who hasn't worked in over a year and has been starving in order to be able to pay the rent.
As garotas dependem da vontade de um homem para se tornarem estrelas e continuarem no topo. Devemos perceber os paralelos do filme com o recente caso Weinstein, que sacudiu Hollywood. No entretenimento, as mulheres ainda são reféns das vontades – e dos desejos sexuais – dos homens para alcançarem a fama. O show business é o mesmo, 80 anos depois.

The girls rely on a man's wish to become stars and maintain their fame. We must see the parallel between this and the recent Weinstein case – Weinsteingate, maybe? - that shaked Hollywood. In entertainment, women are still held hostage of man's wishes – often sexual wishes – if they want to have a career. Show business is the same, 80 years later.
Quando Terry entra no escritório de Powell para confrontá-lo – logo depois de Kay ter desmaiado ao ser informada de que Powell não a receberia – ele diz muitas, muitas coisas sexistas para ela, como “a maioria das mulheres deveria ir lavar a louça e cuidar das crianças em vez de tentar uma carreira no teatro”. É enfurecedor. E é ainda pior se nos lembrarmos de que, mesmo sendo chique e popular, o ator Adolphe Menjou era assim na vida real: um conservador feroz que foi como VOLUNTÁRIO depor - e destruir algumas vidas - no Comitê de Atividades Antiamericanas.

When Terry enters Powell's office to confront him – right after Kay fainted outside the office when she was told that Powell wouldn't see her – he says many, many sexist things to her, like “most women should wash dishes and have a family instead of trying a career at the theater”. It's infuriating. And it's even worse if we remember that, even being popular and dapper, actor Adolphe Menjou was like this in real life: a staunch conservative who appeared in the HUAC hearing VOLUNTARILY to name names and destroy lives.
Claro, sendo assim, Powell nunca fica muito tempo com a mesma garota. Ele troca Linda por Jean, e no primeiro encontro na casa dele Jean fica bêbada e emotiva, acreditando em todas as suas mentiras. Depois de Jean, é a vez de Terry visitar Powell, e ela faz isso de maneira bárbara: ela o confronta e não aceita seus elogios e hipocrisias. Terry está ali para fazer negócios de igual para igual, não para se submeter a um empresário.

Of course, being this way, Powell never keeps a girl for too long. He trades Linda for Jean, and in their first date in his house Jean gets drunk and emotional, believing all his lies. After Jean, it's Terry's time to visit Powell, and she does it in a badass way: she confronts him and doesn't accept his compliments or hypocrisies. Terry is there to make business between equals, not to submit herself to a manager.
#badass
Também temos no pensionato Eve Arden como Eve, a dona de um gato, uma Ann Miller muito jovem, Constance Collier como uma mentora obcecada pelas glórias do passado e Lucille Ball como Judith, a amiga cínica e sarcástica de que todas as atrizes precisavam – um papel semelhante ao que ela interpretou em “A Vida é uma Dança” (1940). De certa maneira, este é um papel semelhante aos que Joan Blondell interpretou em muitos pre-Codes. É bacana ver Lucy, de cabelo escuro e com apenas 26 anos, sendo um pouco pessimista e tendo frases de efeito.

We also have in the boarding house Eve Arden as Eve, the lanky owner of a cat, a very young Ann Miller, Constance Collier as an older mentor obsessed with her bygone fame, and Lucille Ball as Judith, the street-wise, cynical and sarcastic friend all theater girls need – a role similar to the one she played in “Dance, Girl, Dance” (1940). In a sense, this is a role similar to those Joan Blondell played many times in pre-Codes. It's nice to see Lucy, with darker hair and at only 26 years old, being a little pessimistic and delivering one-liners.
Eu entendo que as garotas que vivem no pensionato são jovens, no final da adolescência ou com vinte e poucos anos, mas elas estão quase sempre discutindo e implicando umas com as outras. OK, Kay é amada por todas, e ama todas também, mas as outras garotas ainda têm “panelinhas” como em uma escola infestada de bullying. É mais um filme que quer provar que não há amizade entre as mulheres sem que haja muita rivalidade antes.

I understand all the girls living in the boarding house are young, in their late teens or early twenties, but they are usually bickering and discussing. All right, Kay is loved by them all, and loves them all, but all the other girls still have their “cliques” like in a bullying-full high school. It's another film that wants to prove that there can't be friendship among females if there is not rivalry before. 
“No Teatro da Vida” foi uma peça de sucesso escrita por Edna Ferber. Para a adaptação para o cinema, muito foi alterado e o roteiro parece às vezes demasiado difuso – e comete o crime de criar o personagem do empresário, que não existia na peça, para ser o centro do filme e da discussão, como você deve ter percebido nesta crítica. No final das contas, “No Teatro da Vida” é um filme com falhas, mas que mostra que a vida no show business é, acima de tudo, um implacável ciclo.

“Stage Door” was a successful stage play written by Edna Ferber. For the movie version, a lot was altered and  the screenplay seems too diffuse at times – and it commits the crime to create a male manager character, who didn't exist in the play, that becomes the center of the movie and the discussion, as you may have noticed in this review. In the end, “Stage Door” is a film with flaws, but one that shows how life in the show business is, above all, a ruthless cycle.


This is my contribution to the Lucy & Desi blogathon, hosted by Michaela at Love Letters to Old Hollywood.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O Diabo e a Carne / Flesh and the Devil (1926)

Nós, enquanto cinéfilos, estamos sempre fazendo escolhas. Temos de escolher nosso filme favorito, atriz, ator, diretor, roteirista, dupla e década favorita da história do cinema. E então vamos um passo adiante e temos de escolher nosso filme favorito com nosso ator ou atriz favorita – ou talvez listar um TOP 5. Felizmente, fazer esta escolha não é muito difícil para mim.

We, as cinephiles, are always making choices. We have to choose our favorite film, actress, actor, director, screenwriter, screen duo and favorite decade for movies. And then we go a step further and have to choose a favorite film from our favorite actress and actor – or maybe a top 5. Thankfully, making this choice is not so difficult for me.
Greta Garbo é uma das minhas atrizes favoritas. Conforme eu explorava a lista AFI 100 anos – 100 lendas do cinema, encontrei um nome familiar no quinto lugar: Greta Garbo. E então quando eu a vi, eu fiquei muito surpresa. Eu nunca havia visto uma pessoa tão bonita na minha vida – eu tinha então 16 anos e, caramba, até hoje ainda não vi ninguém tão bonito quanto ela. Eu nunca havia visto a perfeição, mas eu descobri que ela existiu, e trabalhou em Hollywood entre 1925 e 1941.  

Greta Garbo is one of my favorite actresses. As I perused the AFI 100 years – 100 legends list, I found a familiar name in the fifth place: Greta Garbo. And then when I saw her, I was incredibly surprised. I had never seen such a beautiful person in my life – I was then 16 years old, and damn, I still haven’t seen anyone as beautiful as her. I had never seen perfection, but I found out it existed, and worked from 1925 until 1941 in Hollywood.
Se eu tivesse que escolher meu filme favorito com Garbo, eu responderia, sem pensar duas vezes: “O Diabo e a Carne” (1926). Mais do que um drama ou um romance, este é um filme maravilhosamente executado, e que apresenta alguns dos mais belos efeitos já produzidos pelo cinema mudo.

If I had to choose my favorite Garbo film, I would answer without second thought: “Flesh and the Devil” (1926). More than a drama or a romance, this is a beautifully crafted movie, and one that shows some of the best effects the silent cinema has produced.   
Greta Lovisa Gustafsson começou a trabalhar em filmes publicitários quando tinha 15 anos. Aos 16 ela foi aceita na Academia Real de Arte Dramática de Estocolmo. Seu filme de 1924, “A Saga de Gosta Berling”, foi um sucesso internacional. No ano seguinte, Louis B. Mayer contratou o diretor do filme, Mauritz Stiller – e Stiller exigiu que Garbo também fosse contratada.

Greta Lovisa Gustafsson started working in advertising films when she was 15. At 16 she was accepted at the Royal Dramatic Theater Academy in Stockholm. Her 1924 film, “Gösta Berlings Saga”, was an international success. The following year, Louis B. Mayer hired the director of the film, Mauritz Stiller – and Stiller demanded Garbo to be hired with him.
Mayer disse que poderia transformar a jovem atriz sueca em uma estrela. E ele conseguiu. Stiller tinha dúvidas sobre ir para Hollywood ou trabalhar na Alemanha. Greta inclusive fez um filme alemão, “Rua das Lágrimas” (1925), no qual tem um bom papel, mas a real estrela do filme é Asta Nielsen. Garbo voltou da Alemanha mais bem vestida e mais segura de si.

Mayer said he could turn the young Swedish actress into a star. And he did. Stiller had doubts about going to Hollywood or working in German. Greta actually went to make a German film, “Joyless Street” (1925), in which she has a good role, but the real star of the picture is Asta Nielsen. Garbo came back from Germany better dressed and more secure.
Isso foi pouco comparado com as mudanças pelas quais ela passou em Hollywood. Ao chegar aos Estados Unidos em 1925, Garbo perdeu peso, mudou o corte de cabelo e consertou os dentes. Seu primeiro teste de câmera não interessou a ninguém na MGM, mas o segundo, seguindo algumas dicas da atriz Lillian Gish, foi um sucesso.

This was little compared to the change Hollywood would make. Arriving in the US in 1925, Garbo lost weight, changed her hairstyle and had her teeth fixed. Her first screen test didn’t interest anyone at MGM, but her second one, following some tips by actress Lillian Gish, was a success.
Os caminhos de Lillian Gish e Greta Garbo se cruzariam novamente. Elas se conheceram no set de “La Bohème”, e mais tarde Greta visitou Lillian no set de “A Letra Escarlate”. Lillian quase conseguiu o papel principal em “O Diabo e a Carne”, mas Garbo foi escalada para o papel – de uma vamp. Você consegue imaginar Lillian Gish como uma vamp? Nem eu.

Lillian Gish’s and Greta Garbo’s paths would cross again. They first met on the set of “La Bohème”, and later Garbo visited Gish on the set of “The Scarlett Letter”. Gish was considered for the lead role of “Flesh and the Devil”, but Garbo was cast instead – as a vamp. Could you imagine Lillian Gish playing a vamp? Me neither.
“O Diabo e a Carne” foi o terceiro filme de Garbo em Hollywood. Ele fala sobre dois amigos de infância, Leo (John Gilbert) e Ulrish (Lars Hanson), que se apaixonam pela mesma mulher, Felicitas (Garbo). Ironicamente, Felicitas significa “sorte” – algo que os amigos não terão após conhecê-la.

“Flesh and the Devil” was Garbo’s third Hollywood movie. It was about two childhood friends, Leo (John Gilbert) and Ulrich (Lars Hanson), who fall in love with the same woman, Felicitas (Garbo). Ironically, Felicitas means “good fortune” – something the friends won’t have after knowing her.
Quando Leo e Felicitas se conhecem, é amor à primeira vista. Temos aqui a rara oportunidade de ver não apenas dois personagens, mas duas pessoas se apaixonando – como Garbo e Gilbert fizeram na vida real. Era um tempo difícil para Garbo, que estava trabalhando muito e foi proibida de ir à Suécia para o funeral de sua irmã. Ela não queria trabalhar em “O Diabo e a Carne”, mas tudo mudou quando ela conheceu Gilbert.

When Leo and Felicitas first meet, it is love at first sight. We have here the rare opportunity to see not only two characters, but two people fall in love – like Garbo and Gilbert did in real life. It was a difficult time for Garbo, who was over-worked and was forbidden go to Sweden to attend her sister’s funeral. She didn’t want to work on “Flesh and the Devil”, but things changed when she met Gilbert.
Gilbert era mais conhecido e influente que Garbo, então ele ensinou diversas técnicas de atuação para ela e a apresentou para seu empresário, Harry Edington. Com o sucesso de “O Diabo e a Carne” e a ajuda de Edington, Garbo pôde renegociar seu salário e escolher os tipos de papéis que fazia.

Gilbert was more famous and influent than Garbo, so he coached her acting and introduced her to his business manager, Harry Edington. With the success of “Flesh and the Devil” and Edington’s help, Garbo could renegotiate her salary and choose the kinds of roles she played.
Aqueles efeitos incríveis em “O Diabo e a Carne” foram criados pelo director de fotografia William H. Daniels. Daniels havia estreado no cinema com “Esposas Ingênuas” (1922) e se tornaria o diretor de fotografia favorito de Garbo. Além de deixá-la o mais bonita possível através de um jogo de luz e sombra, Daniels também trabalhou para criar duas cenas incríveis: o momento em que Garbo e Gilbert dividem uma chama e o duelo visto pelas sombras.

Those amazing effects in “Flesh and the Devil” were crafted by cinematographer William H. Daniels. Daniels had started with “Foolish Wives” (1922) and would become Garbo’s favorite director of photography. Besides making her the most beautiful he could through light, Daniels also worked to create two great scenes: the lighting of the cigarette and the duel in shadows.
Podemos dizer que a maior parte do que conhecemos como Greta Garbo – talvez um toque Garbo? – começou a se desenvolver em “O Diabo e a Carne”. Não é apenas o nascimento de uma lenda do cinema, de uma verdadeira estrela – é um clímax na própria arte de fazer filmes.

We can say that most that was later known as Garbo – maybe a Garbo touch? – started being developed in “Flesh and the Devil”. It’s not only the birth of a film legend, a real star – it is a climax in filmmaking itself.

This is my contribution to the Greta Garbo blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

domingo, 19 de novembro de 2017

Ladrão Romântico / Jewel Robbery (1932)

Viena, anos 30. Começamos o filme com alguns close-ups de joias – lindas joias, em ouro e diamantes, e muitos cofres. Estamos dentro de uma joalheria e algo incrível está prestes a acontecer. Meu bisavô costumava dizer que a fotografia em preto e branco nos filmes é mais bonita que a colorida, e eu devo concordar com ele: aquelas joias realmente brilham na tela bicromática!
Vienna, 1930s. We open the movie with some close-ups of jewels – beautiful jewels, diamonds and gold, and many safes. We're inside a jewelry shop and we're in for a treat. My great-grandfather use to say that black and white photography in film is more beautiful and I must agree with him: those jewels really shine in the bicromatic screen!
Enquanto um inventor demonstra um sistema de alarme revolucionário com raios invisíveis, a joalheria de Hollander é assaltada. Alguns dias depois, um dos melhores clientes do local, a baronesa Teri (Kay Francis) se apronta para ir à joalheria comprar um anel de diamantes. Teri é assistida por muitas empregadas: massagistas, cabeleireiras, manicures e muito mais. Quando fica pronta, ela sai de casa com a amiga Marianne (Helen Vinson).
As an inventor is demonstrating a revolutionary alarm system with invisible rays, Hollander's jewel store is being robbed. A few days later, one of their favorite clients, baroness Teri (Kay Francis) is getting ready to visit the jewelry store and buy a diamond ring. Teri is pampered by a lot of maids: she has masseurs, hairdressers, manicurists and more. When she is ready, she leaves the house with her friend Marianne (Helen Vinson).
O marido de Teri, o barão Franz (Henry Kolker) também vai até a joalheria para negociar o preço do anel. Ele leva consigo um membro do gabinete, Paul (Hardie Albright). Há apenas um problema: Paul está apaixonado por Teri, e ela não corresponde o sentimento.
Teri's husband, baron Franz (Henry Kolker) also goes to the jewelry store to negotiate the price for the diamond ring. He brings with him a member of the cabinet, Paul (Hardie Albright). There is only one problem: Paul is in love with Teri, but she does not care about him.
Quando o barão e o senhor Hollander finalmente chegam a um acordo em relação ao preço, a joalheria é assaltada novamente. O ladrão? William Powell. Powell é o ladrão mais elegante, educado, charmoso e distinto do mundo. Ele fala com calma e até toca música – o Danúbio Azul – enquanto seus capangas estão pegando as joias. Ele é basicamente o Moriarty do roubo de joias.
When the baron and Mr Hollander finally agree on a price, the shop is robbed again. The robber? William Powell. Powell is the fanciest, politest, coolest, most distinguished robber of all time. He talks smoothly and even plays music – the Blue Danube – while his minions are catching all the jewels. He's basically a Moriarty of jewel robbery.
Quando falamos sobre Moriarty, precisamos falar sobre o brilhante Sherlock Holmes. E quando falamos sobre William Powell, precisamos falar sobre o detetive charmoso Nick Charles. Em dois anos Powel interpretaria Nick Charles pela primeira vez, e é realmente muito interessante que ele já tenha interpretado o exato oposto de Nick em “Ladrão Romântico”.
When we talk about Moriarty, we need to talk about mastermind Sherlock Holmes. And when we talk about William Powell, we need to talk about cool detective Nick Charles. In two years Powell would play Nick Charles for the first time, and it's really interesting that he had already got to play Charles's perfect counterpart in “Jewel Robbery”.
O ladrão de Powell diz que estudou em escola francesa para aprender 'finesse' – ao contrário dos ladrões americanos que são loucos por balas, armas e sempre fazem sujeira. Powell inclusive consegue enganar um inspetor de polícia! Moriarty é um gênio como Sherlock, mas um usa a inteligência para fazer o bem, e o outro para o mal. A mesma coisa acontece com Nick Charles e o ladrão: a diferença é com que intuito cada um usa seu charme.
As the robber, Powell says he studied in the French school in order to learn 'finesse' – contrary to the American thieves, who are crazy for bullets, guns and always make a mess. Powell even manages to make a fool out of a police inspector! Moriarty is a genius just like Holmes, but one uses the brains to do good, and the other to do bad. The same happens with Nick Charles and the robber: the difference is the goal their charm is used to achieve.  
Teri e Marianne são construídas como mulheres fúteis. Elas só pensam em duas coisas: sexo e joias – e frequentemente usam o primeiro para conseguir o segundo. Elas são mulheres amorais, no sentido de que elas não se importam com ética ou princípios. Elas não são personagens bem desenvolvidas, e em um filme de apenas 68 minutos de duração isso é um problema previsível
Teri and Marianne are constructed as frivoulous women. They only think about two things: sex and jewels – often using the first in exchange for the second. They are amoral women, in the sense that they do not care for ethics or principles. They are not well-developed characters, and in a film that lasts only 68 minutes this is a predictable problem.
Quando Teri é vista pela primeira vez, ela está tomando um banho de espuma. A sequência é 100% pre-Code: é óbvio que Kay Francis está nua, e ela muda de uma toalha para outra, até colocar um vestido. Nada além de seus ombros, pernas e pés são mostrados, mas isso já é suficiente para açimentar a imaginação do espectador.
When Teri first appears, she is taking a bubble bath. That sequence is 100% pre-Code: it's obvious that Kay Francis is naked, and she changes from one towel to another, until she puts on a dress. Nothing besides her shoulders, legs and feet is shown, but there is enough in the scene to feed the viewer's imagination.
Há também muitas frases de duplo sentido, de teor sexual e um momento hilário com policiais chapados fumando maconha. Todos estes momentos são exclusivos da era pre-Code em Hollywood, e são eles que fazem de “Ladrão Romântico” um filme tão divertido.
There is also a lot of sexual innuendo and a hilarious moment with high policemen smoking joint. All these moments are pre-Code Hollywood in a nutshell, and they are what makes “Jewel Robbery” such a funny movie.
O esquema do ladrão pode parecer perfeito, mas eu acho que você não deve tentar fazer isso em casa. Muitas de suas técnicas geniais para produzir álibis e coordenar o roubo não funcionam mais por causa do que temos hoje em termos de redes sociais, GPS e outras tecnologias.
The robber's scheme may sound perfect, but I think you shouldn't try to reproduce it at home. A lot of his genius techniques to produce alibis and coordinate the robbery work no more because of social media, GPS and other new technologies.
Um filme como “Ladrão Romântico” jamais poderia ser feito hoje – e não apenas por causa da tecnologia que destrói os esquemas. É um filme que definitivamente não passa no teste de Beachdel. É um filme que chama um personagem de 'romântico', quando na verdade ele é doente e problemático. Eu entendo que se trata de uma comédia, e eu ri muito em vários momentos. Mas como é arriscada!
A film like “Jewel Robbery” could never be made today – and not only because of the technology that ruins schemes. It's a film that fails hard the Bechdel test. It's a film that portrays as 'romantic' a character that is in reality really sick and problematic. I understand it's a comedy, and I laughed out loud in many moments. But, wow, it is risky!
Ladrão Romântico”, tão exagerado e divertido, só poderia ter sido feito na era pre-Code. 1932 foi o pior ano da recessão pós quebra da bolsa de 1929. As pessoas precisavam rir de alguma coisa – nem que fosse de um crime.
Jewel Robbery”, so exaggerated and funny, could only have been made in the pre-Code era. 1932 was the worst year of recession since the 1929 Crash. People needed something to laugh at something – even if it was at a crime.
This is my contribution to the It Takes a Thief blogathon, hosted by Debbie at Moon in Gemini.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

The Brave One (1956) and Dalton Trumbo’s braveness

Quando eu assisti a “Trumbo – Lista Negra” (2015), eu senti muita raiva. Eu tive raiva da hipocrisia, da falsa moral, da asquerosa tentativa dos conservadores de “limpar Hollywood” – e de como eles destruíram vidas com esta caça às bruxas. Sim, Dalton Trumbo pode ter ganhado dois Oscars mesmo estando na lista negra, mas vemos na cinebiografia que as consequências de seu exílio foram devastadoras, e nenhuma estatueta dourada poderia remediá-las.

When I watched “Trumbo” (2015), I felt more rage than anything else. I was angry at the hypocrisy, the fake morals, the disgusting attempt of conservatives to “clean Hollywood” – and how they destroyed lives with the witch hunt. Sure, Dalton Trumbo may have won two Oscars even when he was blacklisted, but we see in the biopic that the consequences of his blacklisting were devastating, and no golden statue could cure them.
Dalton Trumbo entrou na lista negra em 1947. Ele era um dos ‘10 de Hollywood’ que se recusaram a testemunhar perante o Congresso e delatar colegas para serem perdoados. Naquela época, ele já havia sido indicado a um Oscar”, pelo roteiro de “Kitty Foyle” (1941). E naquela época, ele já havia passado por problemas: em meados dos anos 1930 a Warner cancelou o contrato de Trumbo quando ele se recusou a sair do Sindicato dos Roteiristas – fundado e administrado por escritores que seriam também colocados na lista negra – e ir para outro sindicato.

Dalton Trumbo was blacklisted in 1947. Trumbo was one of the ‘Hollywood ten’ who refused to testify before Congress and name names in order to be acquitted. By that time, he had already been nominated for one Oscar, for his screenplay of “Kitty Foyle” (1941). And by that time, Trumbo had already had problems: in the mid 1930s Warner Bros cancelled his contract when he refused trading his membership in the Screen Writers Guild – created and ran by fellow would-be-blacklisted writers – for another guild.
Depois de passar 11 meses preso no Kentucky, Dalton Trumbo e sua família se mudaram para o México, para onde outros roteiristas na lista negra também foram. Lá era um lar fora de casa. Trumbo continuou escrevendo e vendendo histórias para o cinema – através de pseudônimos e outros subterfúgios.

After spending 11 months in a prison in Kentucky, Dalton Trumbo and his family moved to Mexico, where other blacklisted screenwriters also went to live. There was home outside of the homeland. Trumbo kept writing screenplays and motion picture stories and selling them to Hollywood – by using fronts, pseudonyms and other tricks.
Em 1953 ele escreveu a história de “A Princesa e o Plebeu”. Ele não pôde ser creditado, por isso seu amigo, o roteirista Ian McLellan Hunter, assinou o roteiro. No Oscar, ele competiu contra o filme de guerra “Seu Nome e Sua Honra”, a comédia “As Chaves do Paraíso”, “O Pequeno Fugitivo” e o faroeste “Hondo”, que mais tarde teve a indicação retirada. A deliciosa história de “A Princesa e o Plebeu” ganhou o prêmio. Três anos depois, Trumbo repetiu a dose.

In 1953 he wrote the motion picture story of “Roman Holiday”. He couldn’t be credited, so his friend, screenwriter Ian McLellan Hunter, was used as a front for his work. At the Oscars, he competed against the war film “Above and Beyond”, the comedy “The Captain’s Paradise”, “The Little Fugitive” and the western “Hondo”, who later had its nomination withdrawn. The delightful story for “Roman Holiday” won the prize. Three years later, Trumbo did it again.
O filme “Arenas Sangrentas” (1956) é sobre um menino, Leonardo (Michel Ray) e seu amado touro de estimação, chamado Gitano (‘cigano’ em espanhol). Leonardo tenta salvar seu touro das arenas sangrentas das touradas, onde o animal enfrentará um toureiro veterano. É um filme B feito pelos irmãos King, que também produziram “Mortalmente Perigosa” (1950). Dá para ver como o filme foi ‘barato’ pela baixa qualidade das cenas noturnas. O filme foi gravado no México, sendo a maioria dos atores mexicanos.

The film “The Brave One” (1956) is about a young boy, Leonardo (Michel Ray) and his beloved pet bull, called Gitano (Spanish for ‘gypsy’). Leonardo tries to spare his bull from going to the killing arenas and being killed by a master bullfighter. It’s a B-movie made by the King Brothers, who also produced the noir “Gun Crazy” (1950). The cheapness of the film can be seen especially in night scenes. It was shot in Mexico, with mostly Mexican actors.
Em 1957, Trumbo derrotou Celso Zavattini, que escreveu o filme neorrealista italiano “Umberto D”… e Jean-Paul Sartre. Ambos os filmes, “Umberto D” e “OS Orgulhosos”, eram do começo dos anos 50 – respectivamente 1952 e 1953 – mas só estrearam em Los Angeles em 1956. Um filme chamado “Alta Sociedade” também foi indicado, mas sua indicação foi cancelada porque a Academia o confundiu com o musical de mesmo nome, estrelado por Grace Kelly e Frank Sinatra.

In 1957, Trumbo won his Oscar over Celso Zavattini, who penned the Italian neorealist film “Umberto D”… and Jean-Paul Sartre. Both movies, ‘Umberto D” and “Les orgueileux”, were released in the early 1950s – respectively in 1952 and 1953 – but only released in Los Angeles in 1956. A movie called “High Society” was also nominated, but its nomination was withdrawn because the Academy mistook it with the Grace Kelly / Frank Sinatra musical of the same name.
“Arenas Sangrentas” é ‘baseado em uma história de Robert Rich’. Quando ele ganhou o Oscar, Jesse Lasky Jr, então vice-presidente do grupo de roteiristas do Sindicato dos Escritores, recebeu o prêmio. Depois da cerimônia, o que todos queriam saber em Hollywood era: quem realmente é Robert Rich? Um homênimo – e sobrinho dos irmãos King – foi a público dizer que ele não havia escrito a história. O mistério começava.

“The Brave One” is ‘based on a story by Robert Rich’. When he won the Oscar, Jesse Lasky Jr, then the vice-president of the Screenwriters branch of the Writers Guild, accepted the award. After the ceremony, what everything in Hollywood wanted to know was: who really is Robert Rich? A man with that name –and nephew of the King brothers – went public to say that he hadn’t written the story. The game was afoot.
Numa entrevista para um jornalista de Los Angeles pouco mais de um mês depois da cerimônia do Oscar, Trumbo respondeu assim quando perguntado se havia escrito a história de “Arenas Sangrentas”: ‘talvez sim, talvez não’. O Oscar de 1957 foi o último a ter a categoria de Melhor História Original. Trumbo estava, obviamente, se divertindo e sentindo o gosto de uma pequena vingança com o alvoroço que estava criando na mesma Hollywood que o havia expulsado.

In an interview to a Los Angeles journalist a little over a month after the Oscars ceremony, Trumbo answered this way when asked if he had written the story for “The Brave One”: ‘maybe I did, maybe I didn’t’. The 1957 Oscar ceremony was the last one to have the Best Writing – Motion Picture Story category. Trumbo was, of course, having fun and a small revenge with the little uproar he caused in the Hollywood that had expelled him.
Trumbo (2015)
Em 1959, Trumbo finalmente confessou que era responsável por “Arenas Sangrentas”. Logo depois, o diretor Stanley Kubrick e o ator e produtor Kirk Douglas insistiram que Trumbo fosse creditado em “Spartacus”. No ano seguinte, ele foi de fato devidamente creditado pela primeira vez em 13 anos, por seu trabalho em “Exodus”, de Otto Preminger. Entre “Arenas Sangrentas” e 1960, três outros escritores na lista negra ganharam o Oscar, e a ausência deles foi um sinal de vergonha para Hollywood. Acabava a lista negra.

In 1959, Trumbo finally confessed that he was responsible for “The Brave One”. Right after, director Stanley Kubrick and actor/producer Kirk Douglas insisted on having him credited in “Spartacus”. The following year, he was properly credited for the first time in 13 years, for his worked in Otto Preminger’s “Exodus”. Between “The Brave One” and 1960, three other blacklisted writers had won the Oscar and their absence was a sign of shame for Hollywood. The blacklist was over.

Ao contrário do que o trailer diz, “Arenas Sangrentas” não é inesquecível por causa da performance de Michel Ray – que é apenas OK – mas por causa da história de Trumbo. “Arenas Sangrentas” é sobre perdão e sobre considerar a opinião da maioria – e tudo isso é muito simbólico para um filme que foi a primeira peça na destruição da lista negra.

Contrary to what the trailer says, “The Brave One” is not unforgettable because of Michel Ray’s performance – which is just OK – but because of Trumbo’s story. “The Brave One” is about forgiveness and listening to the opinion of the majority – and all that is very symbolic for a movie that was the first piece to destroy the blacklist.


This is my contribution for Banned and Blacklisted, the Fall 2017 CMBA Blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Nossas Noites / Our Souls at Night (2017)

Cinquenta anos depois de “Descalços no Parque” e 38 anos depois da última colaboração deles - “O Cavaleiro Elétrico” (1979) - Jane Fonda e Robert Redford se encontraram novamente graças à Netflix. Ambos já tinham projetos no serviço de streaming - Jane é uma das produtoras e protagonistas da série “Grace e Frankie”, e Robert estrelou o filme “A Descoberta”. Foi na Netflix que as duas estrelas, ambas com quase 80 anos, encontraram espaço e papéis que não encontram mais no cinema hollywoodiano convencional, aquele preocupado com blockbusters e jovens estrelas.

Fifty years after “Barefoot in the Park” and 38 years after their last collaboration – “The Electric Horseman” (1979) – Jane Fonda and Robert Redford got together again thanks to Netflix. Both had already projects in the streaming platform – Jane is one of the producers and stars of the sitcom “Grace and Frankie”, and Robert starred in the movie “The Discovery”. It was on Netflix that both stars, who are nearly 80, found the space and the roles they don't  find anymore in the conventional Hollywood cinema, more worried about blockbusters and young stars.
Robert Redford leu o livro “Nossas Noites”, obra póstuma do escritor Kent Haruf, e viu nele um veículo perfeito para si mesmo e para a amiga de longa data. Ele propôs a ideia do filme para a Netflix, e Jane aceitou na hora o convite para estrelar o longa-metragem. Jane disse que ela queria estar no filme porque queria se apixonar novamente por Redford.

Robert Redford read the book “Our Souls at Night”, published after author Kent Haruf's death, and saw in it a perfect vehicle for him and his good old friend. He pitched the film's idea to Netflix, and Jane quickly accept the offer to star in it. Jane said she wanted to do the movie because she wanted to fall in love with Redford all over again.
Louis (Redford) recebe uma proposta nada convencional da vizinha Addie (Fonda): como ambos são viúvos e sozinhos, eles poderiam passar as noites juntos. É uma proposta de apoio mútuo no momento mais difícil e mais solitário do dia. Pouco a pouco, eles se tornam cúmplices, confessam detalhes de suas vidas um para o outro e, claro, chamam a atenção das pessoas da pequena cidade onde vivem.

Louis (Redford) receives an unconventional proposal from his neighbor Addie (Fonda): since they're both widowed and alone, they could spent the nights togethers. It's a proposal of mutual support in the toughest and loneliest moment of the day. Little by little, they become intimate, confess details of their lives to each other and, of course, call the attention of people in the small town they live in.
Nesse ínterim de fofocas e olhares maliciosos, Addie e Louis recebem um visitante: o neto dela, Jamie (Iain Armitage). Ele é mandado para ficar com a vovó para que seus pais tentem consertar os erros da relação. Ele é fonte de alegria para os idosos e, embora traga conflito na forma do seu pai, filho de Addie que desaprova o relacionamento, Jamie se mostta uma peça perfeitamente encixável na dinâmica pouco convencional de Addie e Louis.

In this context, being target of gossip and mean eyes, Addie and Louis receive a visitor: her grandson Jamie (Iain Armitage). The boy is sent to his grandma's while his father and mother try to fix their relationship. He is a source of joy for the elderly and, although he brings conflict because his father, Addie's son, disapproves the relationship, Jamie is a piece that fits perfectly in the unconventional puzzle Addie and Louis make.
Jane interpreta novamente a mais mente aberta na relação, e Robert é o mais sério. No começo, o personagem de Robert, Louis, se preocupa muito com o que as pessoas vão pensar e como vão reagir ao fato de que os dois estão dormindo juntos – ele se preocupa tanto que insiste em entrar pela porta dos fundos na casa de Addie, mas depois de algumas noites ela exige que ele use a porta da frente. Addie não tem medo, e não tem que dar satisfação a ninguém.

Jane once again plays the most free-spirited one in the relationship, and Robert is the most serious one. At first, Robert's character Louis cares too much about what people think and how they would react to them sleeping together – he cares so much that he enters Addie's house by the back entrance, and after a few times she demands him to use the front door. Addie is unafraid, and unapologetic.
Vimos nos últimos anos a multiplicação de filmes focados em idosos. “Nossas Noites” é sobre os afetos nas vidas das pessoas de idade: afeto entre elas, no sentido romântico e sexual, e afeto com relação a parentes, filhos e netos.

We saw in the last few years the multiplication of movies focused on older people. “Our Souls at Night” is all about endearment in old people's lives: it's the romantic and sexual love between them, and also the love they feel for their relatives, kids and grandkids.
Podemos usar o título de outro filme para definir “Nossas Noites”: Ainda Adoráveis (filme de 2008 com Martin Landau e Ellen Burstyn).“Nossas Noites” não é uma obra-prima nem um filme revolucionário. Ele não vai mudar sua vida, mas poderá lhe fazer chorar. No IMDb, vemos uma feliz coincidência: tanto“Descalços no Parque” quanto “Nossas Noites” têm a mesma média do público: 7 de 10. Menos divertido que “Descalços no Parque” e menos sério que “O Cavaleiro Elétrico”, esta mais recente colaboração da dupla Fonda-Redford mostra que o talento nunca se aposenta.

We can use the title of another film to describe “Our Souls at Night”: “Lovely, Still” (a 2008 film starring Martin Landau and Ellen Burstyn). “Our Souls at Night” is not a masterpiece now a revolutionary movie. It won’t change your life, but it can make you cry. On IMDb, a happy coincidence: both “Barefoot in the Park” and “Our Souls at Night” have the same score from fans: 7 out of 10. It may be not as funny as ‘Barefoot in the Park” and not as serious as “The Electric Horseman”, but this most recent collaboration between Fonda and Redford shows that talent never retires.


This is my contribution to the Then and Now (Now and Then) blogathon, hosted by Thoughts All Sorts (and Realweegiemidget Reviews).


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