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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Europa '51 (1952)

Consciência social. Guerras. Esquerda contra direita. A boba e infantil vida burguesa. Suicídio infantil. Memórias de guerra. “Europa '51” trata de todos estes temas em seus primeiros trinta minutos. E já podemos sentir, por estes temas, que é um filme de Rossellini. E ele só melhora conforme avança a trama.

Social conscience. Strikes. Left vs right. The silly and childish life of the bourgeois. Child suicide. War memories. “Europa '51” touches all these themes in its first half an hour. And we can sense, by those themes, that we are watching a film by Rossellini. And it only gets better as the plot goes on.
É a morte do filho de Irene (Ingrid Bergman) que dá início à sua jornada. O menino se sentia negligenciado, por isso ele se joga de uma escada e se machuca. Quando ele morre depois de uma cirurgia no fêmur, Irene entra em choque – e nós podemos sentir o choque no olhar de Ingrid. Ela não grita, não chora, não perde a cabeça. Ela fica em choque. Só isso. E é também tudo isso.

It's the death of Irene's (Ingrid Bergman) son that starts her journey. The boy was feeling neglected, so he hurt himself by falling down the stairs. When he dies after a fêmur surgery, Irene is in shock – and we can see the shock in Ingrid's eyes. She doesn't scream, she doesn't cry, she doesn't lose her mind. She is in shock. It's only that. And it's also all that.
Enquanto se recupera, Irene se aproxima do primo de seu marido, Andrea (Ettore Giannini), um jornalista comunista. Andrea a convence a ajudar uma pobre família cujo filho precisa de um remédio caro para sobreviver. Andrea também empresta livros e jornais a Irene. A maneira como ela vê o mundo muda. Ela tenta ajudar os pobres de todas as maneiras. Ela até experimenta a noite de entretenimento dos pobres – ela vai ao cinema popular, em vez de ir ao teatro elitista.

While recovering Irene becomes closer of her husband's cousin Andrea (Ettore Giannini), a communist journalist. Andrea convinces her to help a poor family whose son needs an expensive medication to survive. Andrea also lends Irene books and newspapers. The way she sees the world changes. She tries to help poor peaople in any way she can. She even attends the poor people's entertainment night – she goes to the popular cinema, and not the elitist theater.
Irene passa a ser julgada pelas pessoas ao seu redor. Não pelas pessoas que ela ajuda, mas pelas pessoas de seu convívio – isto é, pessoas “respeitáveis”. Ela é uma figura semelhante a Cristo, e sofre nas mãos de ignorantes que dizem estar “seguindo a lei”, “protegendo a sociedade” e “fazendo isso pelo bem dela”. Se Jesus fosse uma mulher, ele provavelmente teria sofrido muito mais.

Irene is then judged by all people around her. Not by the people she is helping, but by the people she used to live among – that is, “respectable” people. She is a Christ-like figure, and suffers on the hands of the ignorants who claim to be “following the law”, “protecting society” and “doing it for her own good”. If Jesus was a woman, he might have suffered even more.
Mesmo tendo passado pelos horrores da guerra, Irene é agora uma mulher privilegiada. Seu novo comportamento é condenado por sua mãe, por seu marido George (Alexander Knox, que interpretou o presidente Woodrow Wilson em 1944) e seus amigos. Ela ajuda pessoas. Ela faz exatamente o que Jesus ou um santo fariam. Algum de nós faria o que ela faz? A maioria de nós gosta de pensar que sim, mas eu acredito que quase ninguém se comportaria como ela.

Even if she has suffered the horrors of war, Irene is now a privileged member of society. Her new behavior is disapproved by her mother, her husband George (Alexander Knox, who played president Woodrow Wilson in 1944) and her friends. She helps people. She does exactly what Jesus Christ would do, or a saint would do. Would any of us do what she does? Most of us like to think we would, but I believe almost nobody would behave like her.
Além da brilhante Bergman, outra presença no filme me deixa feliz: Giulietta Masina. Seu papel como uma pobre e trabalhadora mãe de seis crianças é pequeno, mas ela brilha em cada segundo na tela. Ela fala alto, é um pouco grossa, espontânea e temperamental. Ela não tem medo de falar a verdade sobre as coisas. Assim como em muitos de seus papéis coadjuvantes – como em “A Trapaça” (1955) – Giulietta é aqui inesquecível. Quer dizer, ela é tão inesquecível que eu estou 100% convencida de que a reconheci como extra em “Paisà”, de 1946, também dirigido por Rossellini.

Besides brilliant Bergman, another presence in this movie makes me happy: Giulietta Masina. Her role as a poor yet hard-working mother of six is a small one, but she shines in every second of it. She is loud, a bit rough, spontaneous and temperamental. She is not afraid of saying things the way they really are. As in many of her supporting roles – like in “Il Bidone” (1955) – here Giulietta is unforgettable. I mean, she is so unforgettable that I'm 100% sure that I recognized her in a cameo in 1946's “Paisà”, also directed by Rossellini.
Um filme como este nunca seria feito nos Estados Unidos, especialmente com as investigações anticomunistas acontecendo. E é simbólico ter Ingrid Bergman neste papel. Ela havia acabado de interpretar Joana D'Arc nos EUA quando conheceu Rossellini, engravidou e se tornou persona non grata em Hollywood. E aqui está ela, na Itália, interpretando uma verdadeira santa que é vítima de hipocrisia e julgamento. Eu gosto muito da Hollywood clássica, mas fico feliz por poder ver filmes de outras partes do mundo e que mostram perspectivas diferentes e exploram temas complexos.

A film like this one would never have been done in the US, especially with the HUAC investigations going on. And it's symbolic to have Ingrid in this role. She has just played Joan of Arc in the US when she met Rossellini, got pregnant and became persona non grata in Hollywood. And here she is, in Italy, playing a true saint who is the victim of hypocrisy and judgment. I really enjoy classic Hollywood, but I'm happy to be able to see films from other parts of the world to show us different perspectives and explore difficult themes.
É incrível como os temas deste filme refletem o que está acontecendo no mundo agora – um pouco nos EUA, e muito no Brasil. Sempre que uma pessoa acredita que todos os seres humanos têm os mesmos direitos e deveriam ganhar o suficiente para uma existência digna, esta pessoa é chamada de “liberal” / “social justice warrior” nos EUA ou “comunista” / “esquerdista” no Brasil.

It's incredible how the themes in this film mirror what is happening in the world now – a little in the US, a lot in Brazil. Whenever a person thinks all human beings deserve the same rights and should earn enough to live decent lives, this person s  called “liberal” / “social justice warrior” in the US or “communist” / “leftist” in Brazil.
Há uma cena em que Andrea e Irene conversam, e Andrea diz que o mundo será um paraíso quando os homens perceberem que o futuro precisa incluir progresso para todos. Infelizmente, eu vim do futuro para transmitir uma mensagem triste a Andrea: nós estamos cada vez mais longe do seu paraíso. E isso acontece porque pessoas como Irene são impedidas de fazer a diferença no mundo.

There is a scene in which Andrea and Irene are talking, and Andrea says that the world will be a paradise when men realize that the future needs to have progress for everyone. Unfortunately, I'm here from the future to deliver a sad message to Andrea: we're further and further from your paradise. And that's because people like Irene are prevented from making the difference in this world.


This is my contribution to the 3rd Wonderful Ingrid Bergman blogathon, hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Os Seus, Os Meus, Os Nossos / Yours, Mine and Ours (1968)

Os anos 60 representaram uma nova era em Hollywood. A censura ia enfraquecendo, novos temas eram explorados – como as comédias sobre sexo – mas muitas das estrelas eram as mesmas de antes. Um animalzinho velho pode aprender a fazer novos truques? Uma estrela da Old Hollywood consegue se adaptar aos temas da Nova Hollywood? Bem, se estas estrelas da Old Hollywood são Henry Fonda e Lucille Ball, eles com certeza conseguem.

The 1960s represented a new time in Hollywood. The censorship was waning, new themes were being explored – like the sex comedies – but many of the stars were the same as before. Can an old pet learn how to do a new trick? Can an Old Hollywood star adapt to the themes of New Hollywood? Well, if those Old Hollywood stars are Henry Fonda and Lucille Ball, they certainly can.
Frank Beardsley (Fonda) é viúvo e tem dez filhos – mas dois deles estão “emprestados” com seu irmão. Helen North (Ball) é viúva e tem oito filhos. Eles foram feitos um para o outro, certo? É nisto que passamos a acreditar quando eles se encontram em diversas ocasiões. Outro personagem que acredita que eles estão predestinados um ao outro é Darrell (Van Johnson), amigo de ambos. Frank é oficial da Marinha, Helen é enfermeira, mas as famílias enormes são o que os tornam um par perfeito.

Frank Beardsley (Fonda) is a widower and has ten children – but two of them are “on loan-out” with his brother. Helen North (Ball) is a widow and has eight children. They were made for each other, right? This is what we are led to believe when they bump into each other in several occasions. Another character that believes they are a perfect duo is Darrell (Van Johnson), a friend of both. Frank is a Navy officer, Helen is a nurse, but their huge families are what makes them a perfect fit.
Darrell é como um cupido. Isso significa que Van Johnson tem um papel secundário, e este é um de seus melhores papéis no cinema. Como protagonista ele nem sempre conseguiu me convencer, mas como coadjuvante – ou mesmo como cantor, porque ele fez sucesso com “The Music Man” no teatro em Londres – ele é ótimo. Na vida real, Helen e Frank tiveram um cupido diferente: quem os apresentou foi a irmã de Frank, que era freira.

Darrell is a matchmaker. This means that Van Johnson has a supporting role, and this is one of his best appearances on film. As a lead he doesn’t always convinced me, but as a sidekick – or even as a singer, because he was a hit on “The Music Man” in the London theater – he did.  The real Helen and Frank, though, had a different matchmaker: the person who present one to the other was Frank's sister, who was a nun.
Lucy é a melhor em cena. Ela é hilária em muitos momentos que demandam comédia física, como no bar irlandês, em que ela tem problemas com os cílios postiços e com o vestido, e no primeiro jantar com os filhos de Frank, que é o ponto alto da performance de Lucy. O grande conflito no filme é a aceitação por parte dos filhos de Beardsley de Helen como uma verdadeira mãe. Sim, alguns dos filhos dela reagem com rebeldia ao fato de Frank ser o “novo pai” deles, mas ao menos um deles, Phillip, fica muito feliz com a novidade.

Lucy is the best in the film. She is hilarious in many scenes that demand physical comedy, like in the Irish bar, where she has trouble with her fake eyelashes and her dress, and in the first dinner with Frank’s kids, which is the high point of her performance. The greatest conflict in the film is the Beardsley children accepting her as a true mother. Yes, some of the North children react badly to having Frank as their new father, but at least one of them, Phillip, is more than happy with the news.
Alguns outros filmes, e especialmente séries de TV, lidaram com a vida familiar nos anos 60. A família em “Já Fomos Tão Felizes” parece minúscula se comparada com a de “Os Seus, Os Meus, Os Nossos”. No filme de Doris Day e David Niven, há apenas quatro filhos, e o conflito deles é focada na readaptação após a mudança da cidade grande para o interior, onde uma vez mais a mãe de família pode sonhar com o estrelato nos palcos. Para Helen North, não há espaço para sonhar – ela só pode focar em assuntos práticos.

Some other movies, and especially TV shows, dealt with family life in the 1960s. The family in “Please, Don't Eat the Daisies” (1960) seems tiny when compared with the “Yours, Mine and Ours”. In the Doris Day / David Niven movie, there are only four kids, and their conflict is focused on readapting to life when moving from the big city to the countryside, where the mother can once again dream with stage stardom. For Helen North, there is no room for dreaming – she can only focus on practical issues.
Há piadas mais modernas em “Os Seus, Os Meus, Os Nossos”, algumas delas envolvendo duplo sentido, contraceptivos e a juventude louca por sexo. Mas não se engane: tudo isso pode funcionar e ser discutido no momento do namoro, mas a vida real e diária depois do casamento não é assim. Frank quer deixar o trabalho e ficar em casa com toda a família, algo que Helen não deixa que ele faça. Afinal, ficar em casa é uma atividade para mulheres, enquanto trabalhos intelectuais são para homens. Helen se sacrifica muito mais que Frank pela enorme família, embroa Frank tenha seus momentos emocionantes. No final, nada mudou no seio familiar. No final dos ano 60, nada havia mudado em Hollywood.

There are more “modern” jokes in “Yours, Mine and Ours”, some of them involving innuendo, contraception and sex-crazy youth. But don’t be fooled: all this mighty work and be discussed in the dating part, but the real, daily life of a married couple, is not like this. Frank wants to leave his work to stay home with the whole family, something Helen doesn’t let him do. After all, staying home is an activity for women, while intellectual jobs are for men. Helen sacrifices much more for her huge family, even though Frank has his emotional moments. At the end of the day, nothing has changed in the familiar scene. At the end of the 1960s, not much had changed in Hollywood.


This is my contribution to the Van Johnson blogathon, hosted by Michaela at Love Letters to Old Hollywood.

sábado, 19 de agosto de 2017

Glória e Poder / The Power and the Glory (1933)

O filme começa em um funeral. Então, a história de vida de um magnata é contada em flashback, começando com um episódio de sua infância. O filme é “Cidadão Kane” (1941), certo? ERRADO. É na realidade “Glória e Poder”, um filme feito oito anos antes de Kane e com Spencer Tracy como um magnata das ferrovias.

The movie starts at a funeral. Then, the life story of a mogul is told in flashback, starting with a glimpse of his childhood. The movie is “Citizen Kane” (1941), right? WRONG. It’s actually “The Power and the Glory”, a film made eight years before Kane and with Spencer Tracy as a railway mogul.
Thomas 'Tom' Garner (Tracy) não frequentou a escola, e aos 20 anos era ainda analfabeto. Mas ele era determinado, e por causa de seu amigo de infância Henry (Ralph Morgan), ele vai aprender com a professorinha local, Sally (Colleen Moore). Tom e Sally se casam, e ela o transforma: de fiscal de trilhos ele se torna engenheiro – com muito sacrifício por parte dela, é claro.

Thomas ‘Tom’ Garner (Tracy) didn’t go to school, and at age 20 he couldn’t read or write. But he was brave, and because of his childhood friend Henry (Ralph Morgan) he starts having lessons with the local schoolteacher, Sally (Colleen Moore). Tom and Sally get married, and she turns him from a track walker into an engineer – with a lot of her sacrifice, of course.
Mas o que glória e poder podem fazer com um homem? Tom se torna ambicioso graças a Sally, e consegue cada vez mais poder dentro da companhia ferroviária. Ele se torna o presidente da companhia, um magnata multimilionário, com um filho mimado e uma amante – bem ao estilo Kane, não?

But what can the power and the glory do to a man? Tom becomes ambitious thanks to Sally, and gets more and more power in the railway company. He becomes the president of the company, a multimillionaire mogul, with a spoiled young son and a mistress – very Kane-ish, ain’t it?
É difícil acreditar de Ralph Morgan é mais novo que Spencer Tracy – Morgan era quase 17 anos mais velho que ele, e percebe-se. Talvez seja o bigode de Morgan, né? Com o intuito de fazer ambos parecerem mais velhos, tanto Spencer Tracy quanto Colleen Moore, nas cenas que representam a máxima riqueza de Tom, têm cabelos grisalhos e murchos. Ambos tinham pouco mais de 30 anos, mas interpretavam personagens com cerca de 50. O resultado é um Spencer Tracy estranho aos nossos olhos... e platinado!

It’s hard to believe that Ralph Morgan is younger than Spencer Tracy – Morgan was almost 17 years older than him, and it showed. Maybe it’s Morgan’s moustache, right? In order to make them appear older, both Spencer Tracy and Colleen Moore, in the scenes featuring Tom’s maximum wealth, had their hairs painted gray and styled differently. Both were in their early 30s, but playing characters who were about 50. The result is that we have an odd-looking platinum blonde Spencer Tracy!
Não há muito acontecendo com os funcionários da rodovia – nós vemos apenas o drama do magnata, e o único funcionário que está sempre lá é Henry, que trabalha como secretário de Tom. Nós não vemos como de fato o ambiente de trabalho da ferrovia é – desculpe, não há grandes festas como as dadas por Charles Foster Kane. Os maiores problemas para quem trabalha nos trilhas são as greves e os perigos.

There is not much happening to the employees of the railway – we only see the mogul’s drama, and the only employee always there is Henry, who works as Tom's secretary. We don’t really see how the workplace of the railway is – sorry, there are no big wild parties like the ones Charles Foster Kane threw. The biggest troubles for those who work on the rails are the strikes and the dangers.
Bad mood
Good mood
Henry é o narrador da história, e os momentos com sua narração sobreposta às cenas e diálogos – como o pedido de casamento – são muito bons. O estúdio batizou esta técnica de narração como “narratage”. É incrível ver os momentos indo e voltando no tempo durante a narrativa, sem seguir a ordem esperada. Os eventos seguem a ordem da memória – e são contados conforme são lembrados por Henry e sua esposa.

Henry narrates the story, and the moments with voiceover narration over scenes and dialogues – like the wedding proposal – are very good. The studio named this voiceover narration technique “the narratage”. It’s great to see that the moments come back and forth in the narrative, not following an ordinary order. The events follow the order of memory – they are told as they are remembered by Henry and his wife.
Spencer e Colleen brilham mesmo estando em momentos muito diferentes da carreira. Tracy estava só começando, e sua carreira duraria mais 44 anos. Colleen estava terminando sua carreira: ela se aposentou em 1934, apenas um ano após fazer “Glória e Poder”. No filme, ambos são ótimos e têm atuações poderosas – mas eu atrevo a dizer que Colleen é a melhor em cena. Mas ela própria discordou de mim: ela disse que Tracy foi o melhor e mais talentoso ator com quem contracenou.

Spencer and Colleen are the ones who shine, even though they are in very different moments of their careers. Tracy was just beginning his career, one that would last for 44 more years. Colleen was ending hers: she retired in 1934, only one year after “The Power and the Glory” was made. In the movie, they are amazing and deliver powerful performances – but I dare saying that Colleen was the best in the movie. But the girl herself disagreed with me: she said Tracy was the best and most talented male co-star she ever had.
De onde veio uma história tão boa? Se havia Orson Welles por trás de “Cidadão Kane”, a grande mente por trás de “Glória e Poder” era ninguém mais ninguém menos que Preston Sturges, que recebeu pelo roteiro incríveis 17500 dólares (equivalente a mais de 320 mil dólares hoje). Jesse L. Lasky, um dos fundadores dos estúdios Paramount – originalmente chamados Famous Players-Lasky – foi mandado embora de seu estúdio e então contratado pela Fox. Lasky gostou tanto do roteiro de Sturges que exigiu que ele fosse filmado pelo diretor William K. Howard sem nenhuma modificação – e graças a Deus ele fez esta exigência.

Where did such a great story came from? If there was Orson Welles behind “Citizen Kane”, the great mind behind “The Power and the Glory” was no other than Preston Sturges, who received for the script amazing 17,500 dollars (more than 320,000 dollars, adjusted to inflation). Jesse L. Lasky, one of the founders of Paramount Studios – originally called Famous Players-Lasky – was kicked out of his studio and then hired by Fox. Lasky liked Sturges’s script so much that he demanded it to be filmed by director William K. Howard without any changes – and thank God he did.
Preston Sturges
Orson Welles viu “Glória e Poder”? O filme estreou quando ele tinha 18 anos, então há uma chance de que ele tenha visto. Welles pode ter ganhado o Oscar de Melhor Roteiro Original quando fez Kane, mas precisamos notar que sua maior conquista com sua obra-prima foi uma conquista técnica. Ironicamente, Welles ganhou o prêmio no ano seguinte à vitória de Sturges – aquele que foi o primeiro a contar uma história emocionante de glória, poder, infelicidade e ruína.

Did Orson Welles see “The Power and the Glory”? The film was released when Welles was 18, so there is a good chance he did. Welles might have won the Best Original Screenplay Oscar when he did Kane, but we have to agree that his biggest accomplishment with his masterpiece was a technical one. Ironically, Welles won the award right after Sturges – who was the first one to tell a moving story of power, glory, unhappiness and decay.

This is my contribution to the Workplace in Film and TV Blogathon, hosted by Debra at Moon in Gemini.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Uma Alma Livre / A Free Soul (1931)

É San Francisco, a cidade do pecado! Um homem (Lionel Barrymore) está lendo um jornal quando a sombra de uma mulher se projeta na parede do banheiro. A mulher está nua e pede para ele trazer a lingerie até ela. Ele faz isso, e podemos ver um belo sutiã sendo exibido. A garota (Norma Shearer) sai do banheiro e toma o café da manhã mais rápido da história enquanto fala que ambos “não são respeitáveis”. Nós descobrimos que eles são Stephen e Jan Ashe, pai e filha, e felizmente não outra coisa, como imaginamos.

It's San Francisco, the Sin City! A man (Lionel Barrymore) is reading the newspaper when a woman's shadow appears in the bathroom walls. The woman is naked and asks him to bring her undergarments. He does that, and we can see a bra being exhibited. The girl (Norma Shearer) goes out of the bathroom and has the quickest breakfast in history while saying that they both “are not respectable”. We learn that they are Stephen and Jan Ashe, father and daughter, and thankfully not something else as we were lead to believe.
Stephen é um advogado brilhante. Infelizmente, ele também é alcoólatra – algo para que todos ao seu redor literalmente viram as costas. O cliente a defender naquele dia é o jogador Ace Wilfong (Clark Gable sem bigode), um homem cuja vida depende de um chapéu como evidência. Jan e Ace se interessam um pelo outro quando trocam o primeiro olhar.

Stephen is a brilliant lawyer. Unfortunately, he is also a hevay drinker – something everybody around him literally turn their backs to. His client of the day is gambler and bootlegger Ace Wilfong (Clark Gable sans moustache), a man whose life depends on a hat as an evidence. Jan and Ace get interested in each other in the moment their eyes meet.
Mas Jan recentemente ficou noiva de Dwight Winthrop (Leslie Howard), um homem insistente que é aprovado por todos da esnobe família dela, incluindo o pai dela. Mas ela não quer aprovação: ela quer amor e prazer. Quando seu pai demonstra que não está feliz com o relacionamento, ela propõe uma troca: Jan vai parar de se encontrar com Ace se Stephen parar de beber.

But Jan has recently got engaged to Dwight Winthrop (Leslie Howard), an insistent man who her whole snob family, including her father, approves. But she doesn't want approval: she wants love and pleasure. When her father shows he isn't happy with her relationship, she sets a deal: Jan will stop seeing Ace if Stephen stops drinking.
Jan é dona de si. Ele é adorável, charmosa, provocante. Ela veste lindas roupas – desenhadas por Adrian! - e ama seu pai mais que tudo no mundo. Norma Shearer e Lionel Barrymore estão ótimos juntos. Eu adorei a cena em que Stephen vê pela primeira vez Jan e Ace juntos: em completo silêncio, nós podemos perceber a vergonha e frustração nos olhos deles.

Jan is a very free woman. She is adorable, charming, provocative. She has wonderful clothes – designed by Adrian! - and loves her father more than anything in the world. Norma Shearer and Lionel Barrymore are great together. I loved the scene in which Stephen first saw Jan with Ace: it's completely silent, but we can see the shame and disappointment in their eyes.
Lionel Barrymore é o primeiro de uma lista de atores que ganharam o Oscar interpretando bêbados. Ele também é um dos atores que ganharam o Oscar interpretando um advogado – veja o diagrama de Venn abaixo. Suas cenas durante a crise de abstinência são poderosas, mas não tanto quanto as de Ray Milland em “Farrapo Humano” (1945). Seu grande final no tribunal é cheio de honra e culpa ultrapassadas, mas é ali que ele mostra a que veio.

Lionel Barrymore is the first in a list of actors who won the Oscar playing drunk characters. He is also one of the actors who won the Oscar playing a lawyer – see the Venn diagram below. His scenes during abstinence are powerful, but not as powerful as Ray Milland in “The Lost Weekend” (1945). His grand finale in the courtroom is filled with outdated honor and guilt, but it is here that he nails it.
P.S.: Click to enlarge
O filme é cheio de elementos dos pre-Codes e toques eróticos. Ele certamente deu dor de cabeça para a censura. Se você gosta de dramas com surpresas e toques ousados, “Uma Alma Livre” é um filme que você não pode perder.

The film is full with pre-Code elements and erotic touches. It was certainly a headache for the censors. If you like dramas with plot twists and naughty touches, “A Free Soul” is definetely a film not to be missed.

This is my contribution to the Third Annual Barrymore Trilogy Blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

sábado, 5 de agosto de 2017

Nunca Me Deixes Ir / Never Let Me Go (1953)

Alguns relacionamentos estão amaldiçoados desde o começo – como o de Romeu e Julieta, que eram membros de famílias rivais. E não havia nada mais moderno em termos de rivalidade em 1953 do que a Guerra Fria. Por isso temos em “Nunca Me Deixes Ir” Romeu e Julieta modernos: ele, Philip Sutherland (Clark Gable), é americano, e ela, Marya Lamarkina (Gene Tierney), é russa.

Some relationships are doomed from the start – like Romeo and Juliet, who were the children of rival families. And there was nothing more modern in terms of rivalry in 1953 than the Cold War. So, we have in “Never Let Me Go” a modern Romeo and Juliet: he, Philip Sutherland (Clark Gable), is an American, and she, Marya Lamarkina (Gene Tierney), is Russian.
A história começa no dia da vitória – o dia em que a Segunda Guerra Mundial foi oficialmente vencida pelos Aliados. Philip, um jornalista, vem mandando flores para Marya, uma bailarina, há mais de um ano. Ele nem imagine que ela corresponde o seu amor e está aprendendo inglês para finalmente poder falar com ele. A oportunidade aparece naquela noite, quando ela dá uma entrevista a uma rádio da Inglaterra e se dirige a ele. É a primeira vez que eles conversam, e as coisas vão bem rápido a partir daí. Em pouco tempo eles estão casados.

The story begins on V Day – the day the Second World War was oficially won by the Allies. Philip, a journalist, has been sending flowers to Marya, a ballerina, for over a year. Little does he know that she corresponds his affection and is learning English in order to finally talk to him. The opportunity appears that night, when she gives an interview to a radio from England and hints at him. It's the first time they talk, and things move pretty quickly for them. In little time they are married.
Mas a alegria não dura para sempre. Os pais dela foram mandados para o exílio e a deixaram na escola de balé. Ela sabe que os soviéticos podem ser cruéis e negar um visto para que ela vá para os Estados Unidos com o marido – eles já fizeram isso com a amiga dela, Svetlana. Ele não liga para a paranoia dela – afinal, 'isso não vai acontecer conosco', ele diz, 'Joe' Stalin – como ele se refere ao líder – não vai se importar com um simples casal.

But joy doesn't last forever. Her parents were sent to exile and left her in ballet school. She knows that the Soviets can be cruel and deny her a visa to go to the US with her husband – they already did it to her friend Svetlana. He doesn't care for her paranoia – after all, 'it won't happen to us', he keeps repeating, 'Joe' Stalin – as he refers to the leader – won't care for a simple couple.
Nós temos um aliado que vai tentar ajudar o casal a ficar junto: Steve Quillan (Kenneth Moore), um radialista inglês que conhece a censura logo no começo do filme e mais tarde decide desafiar as autoridades soviéticas mandando mensagens cifradas através de seu programa de rádio.

We have an ally who will try to help the couple stay together: Steve Quillan (Kenneth Moore), an English radio journalist who feels the censorship right in the beginning of the film and later decides to defy the Soviet authorities by sending secret messages through his radio program.
Este filme tem um quê de propaganda – não há dúvidas a respeito disto. Como a liberdade é um direito tão importante e amado nos Estados Unidos e em outros países ocidentais, o filme foca na pouca liberdade que o povo da União Soviética tem – eles não podem ser felizes a não ser que isso beneficie os sovietes, ou o coletivo. A busca pelo amor é o tema aqui – e vamos combinar: a indústria do cinema em Hollywood foi basicamente construída em cima de filmes sobre a busca pelo amor.

This movie has a propaganda feeling – there is no doubt about it. Being liberty such a beloved and important right in the US and other western countries, the film focuses on the lack of freedom the people of the Soviet Union have – they can't be happy unless it benefits the Soviets, the collective. The pursuit of love is the theme here – and let's face it: the Hollywood industry was basically built with movies about the pursuit of love.
O filme é narrado por Clark Gable, até que de repente o narrador muda, na marca de 40 minutos. Agora é Joe (Bernard Miles), um engenheiro naval, que dá sua opinião sobre as atitudes de Philip. Alguns minutos depois, Gable volta à sua função de narrador. Eu me pergunto se o mesmo acontece no livro que inspirou o filme. E falando em estranhezas, “Nunca Me Deixes Ir” tem pouco balé e muita vodca. Os momentos com vodca são, entretanto, os mais divertidos.

The film is narrated by Clark Gable, until it suddenly shifts narrator at 40 minutes or so. Now it's Joe (Bernard Miles), a boat engineer, who gives his impressions about Philip's actions. A few minutes later, Gable is back at his position as narrator. I wonder if it also happens in the book that served as the source for the movie. Speaking of oddities, “Never Let Me Go” has too much vodka and too little ballet. The vodka moments are, nevertheless, the funniest.
É Gene Tierney mesmo dançando? Bem, ela começou a fazer aulas de balé para fazer o filme, mas o mais provável é que não seja ela nos momentos mais complicados – como quando vemos a Rainha dos Cisnes dançando na ponta dos pés em O Lago dos Cisnes, porque é uma tomada longa e não podemos ver com clareza o rosto da bailarina. Vemos Gene em close-ups, mas uma coisa é verdade: por causa do filme ela se apaixonou por balé e continuou indo a e patrocinando espetáculos de balé até o fim da vida.

Did Gene Tierney do her own dancing? Well, she started having ballet lessons in order to do this film, but it's more probable that it's not her in the more complicated moments – like when we see the Swan Queen dancing en pointe in The Swan Lake, because it is a long shot and we can't clearly see the ballerina's face. We see Gene only in close-ups, but one thing is true: because of this film she fell in love with ballet and kept going to and sponsoring ballet recitals until the end of her life.
Tierney é linda e adorável, embora seu sotaque incomode um pouco. Mas o filme é de Gable – é ele que faz todo o esforço para 'nunca deixá-la ir'. É impossível não torcermos por Philip e Marya – e isto por causa de uma escolha sábia de elenco porque, convenhamos, que ator do cinema clássico representa os Estados Unidos melhor que Clark Gable, que pode inclusive ser considerado o melhor exemplo de estrela do sistema de estúdio? É um filme pró-americano, mas com um detalhe interessante: uma russa em particular não vê problema em dedurar camaradas quando necessário – algo que americanos bons e preocupados estavam fazendo então durante as investigações anti-comunistas da caça às bruxas, e estão fazendo agora também. No final, americanos e russos não são tão diferentes.

Tierney is gorgeous and lovely, even though her accent bothers us a little. But it is Gable's film – he is the one making all the effort to 'never let her go'. We can't avoid rooting for Philip and Marya – and this due to a wise casting choice because, come on, which classic Hollywood actor embodies America better than Clark Gable, who may even be the best example of star of the studio system? It is a pro-America film, but with an interesting twist: a particular Russian sees no problem in 'naming names' when necessary – something good, worried Americans were doing in the HUAC investigations back then, and are even doing now. In the end, Americans and Russians are not very different from each other.

For a different take on this film, check the review at Phyllis Loves Classic Movies!

This is my contribution to the En Pointe: The Ballet blogathon, hosted by Michaela at Love Letters to Old Hollywood and Christina at Christina Wehner.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Book review: Masters of Cinema – Alfred Hitchcock, by Bill Krohn

Quantos livros já foram escritos sobre Alfred Hitchcock, o mestre do suspense? Uma busca rápida no site Goodreads nos dá mais de 2600 resultados – mais de 2600 livros escritos sobre ou levando a marca de Hitchcock. O fino livro de Bill Krohn pode ser só mais um neste vasto universo, mas é muito interessante, e um bom ponto de partida para os novatos.

How many books have been written about Alfred Hitchcock, the Master of Suspense? A quick search at Goodread finds more than 2600 results – more than 2600 books written about or carrying the Hitchcock brand. Bill Krohn's thin book may be only another in this vast universe, but it is a very interesting one, and a good starting point for newbies.
Sim, este é um livro pequenino – menos de 100 páginas, e com muitas imagens – mas cobre todos os filmes que Hitchcock fez. Ah, sim, há apenas uma linha sobre “Um casal do barulho” (1941), mas todos os filmes são mencionados em um ótimo guia com especificações técnicas e uma breve sinopse de cada um. Ao longo do livro, todos os livros são discutidos em ordem cronológica, alguns com grandes spoilers – como “Um corpo que cai” (1958) – e alguns com observações pessoais do autor que, por falar nisso, odiou “Os Pássaros” (1963).

Yes, this is a very tiny book – less than 100 pages, and a lot of images – but it covers all films Hithcock did. Oh, yes, there is only one line about “Mr and Mrs Smith” (1941), but all the movies are mentioned in a nice guide presenting the technical data and a brief summary of each film. Througout the book, all films are discussed chronologically, some with major spoilers – like “Vertigo” (1958) – and some with a lot of personal input by the author who, by the way, hated “The Birds” (1963).
As informações sobre os filmes não apresentam surpresas. Nós encontramos fatos reveladores nas histórias de bastidores e nos ensaios espalhados pelo livro. Eu particularmente gosto do 'motif', do tema constante que o autor escolhe: comparar Hitchcock e DeMille. Hitchcock foi muito influenciado por outros mestres, mas a conexão com DeMille não é a primeira em que pensamos quando suas influências são discutidas. Porém, o livro nos lembra de que o tempo todo, talvez de maneira inconsciente, DeMille estava lá. Da mesma maneira, Fritz Lang também estava lá influenciando Hitchcock, mas o próprio Hitch era reticente ao falar do que apreendeu de Lang. O autor se refere à estranha relação de Hitch com seus 'pais cinematográficos' como 'ansiedade / fobia de influência'.

But the films themselves don't present any surprise. We find eye-opening facts in the backstage stories and the essays disposed here and there. I particularly like the 'motif', the constant theme that the author has of comparing Hitchcock and DeMille. Hitchcock was heavily influenced by other masters, but the connection with DeMille is not the first we think about when his influences are discussed. But the book reminds us that all the time, maybe in an unconscious way, DeMille is there. The same way, Fritz Lang was also there influencing Hitchcock, but Hitch himself was reticent when talking about what he got from Lang. The author refers to Hitch's odd relationship with his 'cinematic fathers' as 'anxiety of influence'.
Ao seguir esta linha de influências, o autor escreve o livro como quem escreve uma tese – provando suas hipóteses sempre que tem chance. Não estou reclamando, porque esta é uma hipótese muito interessante! Também há muitas notas ao final do livro, que vão mencionar outros trabalhos e podem ser o primeiro passo para estudarmos Hitchcock melhor. O único problema que eu tive foi com a comparação do autor com Hitchcock 'originando o vocabulário do horror' com “Psicose” (1960) com Griffith 'originando o vocabulário cinematográfico' em “O Nascimento de uma Nação” (1915). Todos nós – e Fritzi do site Movies, Silently em particular – sabemos que Griffith não foi pioneiro com as técnicas que usou em seu pequeno filme racista.

In following this line of influences, the author writes the book as someone writes a thesis – by proving his hypothesis every time he has a chance to do so. I'm not complaining, because it is a very interesting hypothesis! Also, there are lots of notes in the book, that reference other works and may be the first step for us to study Hitchcock further. The only problem I had was with the author's comparison of Hitchcock 'giving birth of horror vocabulary' in “Psycho” (1960) with Griffith 'giving birth to the cinematic vocabulary' in “The Birth of a Nation” (1915). We all – and Fritzi from Movies, Silently in particular – know that Griffith was no pioneer with the techniques he used in that little racist movie.
Além das comparações com outros cineastas, o livro apresenta paralelos dos filmes de Hitchcock com outros trabalhos literários, mitos e teorias filosóficas. Estes momentos tornam o livro mais rico e demonstram o vasto conhecimento do autor.

Besides the comparisons with other filmmakers, the book presents a lot of parallels of Hitchcock's movies with other literary works, myths and philosophical theories. These moments make the book richer and show the vast knowledge of its author.
A série de livros 'Masters of Cinema' foi publicada pela Cahiers du Cinéma, e eu comprei a versão em inglês. Eu também tenho um livro deles sobre Stanley Kubrick, e sei que a coleção também tratou dos trabalhos de Kurosawa, Billy Wilder, Scorsese, Spielberg e Woody Allen. Eu recomendo muito este livro não como uma grande aula sobre Hitchcock, mas como o primeiro passo em uma aventura cheia de suspense na qual descobriremos mais sobre sua obra.

The 'Masters of Cinema' series was published by the Cahiers du Cinéma, and my copy was in English. I also own their book about Stanley Kubrick, and I know that the collection also dealt with the works of Kurosawa, Billy Wilder, Scorsese, Spielberg and Woody Allen. I highly recommend this book not as a masterclass on Hitchcock, but as the first step in a suspenseful adventure discovering more about his work.

This is my contribution to the Alfred Hitchcock blogathon, hosted by Maddy Loves Her Classic Films.

This book is part of Raquel's 2017 Summer Reading Classic Film Book Challenge

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